O céu sem nuvens ajudava a luz do sol incidir com força total sobre o campo florido. O ambiente encontrava-se muito agradável e tranqüilo transpassando uma calmaria contagiante. A brisa matinal movimentava gentilmente as flores, fazendo algumas pétalas voarem. Brisa essa que adentrou no quarto de um casebre próximo, e colidiu suavemente no rosto de uma mulher que acabara de abrir os olhos naquele instante.
Ao sentir o suave sopro resvalando em seu corpo, Joana, deitada na cama, virou-se para a janela, onde pôde ver a luz do sol penetrar preguiçosamente por ela. Sentiu uma agradável sensação acarretando um sorriso logo ao se levantar. Pôs-se de pé em frente à janela, e observou o imenso lugar.
- Que lindo! – exclamou ela sorrindo para o campo florido. Saiu rapidamente pela porta, e caminhou apressadamente pelo corredor. Virou na cozinha, sendo notada por Florisval preparando o café em frente a pia, e por Glin, sentado sobre a mesa.
- Bom dia! – saudou o camponês.
- Bom dia! – respondeu ela, caminhando com seu sorriso pela cozinha em direção a porta.
- Bom dia! – saudou o gnomo, um pouco atrasado, visto que Joana já se encontrava no lado de fora após ter aberto a porta. Ele fez uma cara de decepção. – Será que ela não me viu ou não me ouviu? – indagou-se.
Florisval tratou de segui-la. No lado de fora, Joana deu a volta na casa para observar o campo sob o céu azul. Ela ficou parada, deslumbrando aquela paisagem enquanto o camponês surgia atrás dela.
- É muito bonito. Seu campo é mesmo muito bonito. Isso me lembra quando eu cuidava da estufa com minha mãe.
- Não se esqueça que é seu campo também – disse o floricultor pondo-se ao lado dela. Ele procurou a mão de Joana, e ambos ficaram de mãos dadas. – É o nosso campo. – pronunciou olhando para o rosto da amada.
Joana colocou sua outra mão sobre a que estava junta do camponês, que fez o mesmo com sua outra. Com todas as mãos unidas, eles aproximaram seus rostos. Florisval hesitava em avançar muito, pois fazia tempo que não beijava uma mulher. A primeira vez foi na época em que era um arqueiro de Seylor. Mas para ele, havia sido sem graça, já que a garota beijou-o por beijar. Joana, apesar de saber o que era um, nunca beijou alguém com seus sentimentos verdadeiros. Para ela também era algo novo. Com sorrisos apaixonados esboçados em seus rostos, sem agüentarem e até ansiosos, eles fizeram seus lábios se tocarem. Naquele momento, o vento soprou mais forte imortalizando aquele ato. As flores eram testemunhas do primeiro beijo entre eles.
Na cozinha, Glin estava abraçado com o pote de geléia, beijando-o.
- Minha geléinha... Vamos ficar juntas pra sempre. – proferiu ele, apaixonado.
Um clima romântico pairava entre os indivíduos daquela região.
Ao sentir o suave sopro resvalando em seu corpo, Joana, deitada na cama, virou-se para a janela, onde pôde ver a luz do sol penetrar preguiçosamente por ela. Sentiu uma agradável sensação acarretando um sorriso logo ao se levantar. Pôs-se de pé em frente à janela, e observou o imenso lugar.
- Que lindo! – exclamou ela sorrindo para o campo florido. Saiu rapidamente pela porta, e caminhou apressadamente pelo corredor. Virou na cozinha, sendo notada por Florisval preparando o café em frente a pia, e por Glin, sentado sobre a mesa.
- Bom dia! – saudou o camponês.
- Bom dia! – respondeu ela, caminhando com seu sorriso pela cozinha em direção a porta.
- Bom dia! – saudou o gnomo, um pouco atrasado, visto que Joana já se encontrava no lado de fora após ter aberto a porta. Ele fez uma cara de decepção. – Será que ela não me viu ou não me ouviu? – indagou-se.
Florisval tratou de segui-la. No lado de fora, Joana deu a volta na casa para observar o campo sob o céu azul. Ela ficou parada, deslumbrando aquela paisagem enquanto o camponês surgia atrás dela.
- É muito bonito. Seu campo é mesmo muito bonito. Isso me lembra quando eu cuidava da estufa com minha mãe.
- Não se esqueça que é seu campo também – disse o floricultor pondo-se ao lado dela. Ele procurou a mão de Joana, e ambos ficaram de mãos dadas. – É o nosso campo. – pronunciou olhando para o rosto da amada.
Joana colocou sua outra mão sobre a que estava junta do camponês, que fez o mesmo com sua outra. Com todas as mãos unidas, eles aproximaram seus rostos. Florisval hesitava em avançar muito, pois fazia tempo que não beijava uma mulher. A primeira vez foi na época em que era um arqueiro de Seylor. Mas para ele, havia sido sem graça, já que a garota beijou-o por beijar. Joana, apesar de saber o que era um, nunca beijou alguém com seus sentimentos verdadeiros. Para ela também era algo novo. Com sorrisos apaixonados esboçados em seus rostos, sem agüentarem e até ansiosos, eles fizeram seus lábios se tocarem. Naquele momento, o vento soprou mais forte imortalizando aquele ato. As flores eram testemunhas do primeiro beijo entre eles.
Na cozinha, Glin estava abraçado com o pote de geléia, beijando-o.
- Minha geléinha... Vamos ficar juntas pra sempre. – proferiu ele, apaixonado.
Um clima romântico pairava entre os indivíduos daquela região.
Capítulo 09
Campo florido
O bar pouco movimentado àquela hora da manhã não impedia algumas pessoas de bebericarem suas bebidas matinais, se isso poderia ser benéfico sobre um ponto de vista saudável. Mas entre esses homens, uma única pessoa bebia um copo de vinho numa caneca metálica. Balto, atrás do balcão, começou a engatar uma conversa com ele.
- Esses homens eu até entendo – começou varrendo os olhos pela sua taverna. – São um bando de vagabundos que só sabem beber, beber e beber. Mas você? – perguntou para o homem em frente – O que faz um mago beber vinho logo pela manhã?
- Costume – respondeu Melvin. – Eu... peguei de alguém.
- Mas que mania feia essa pessoa tinha. Não acredito que ele te incentivou a beber desse jeito.
- Huh! Acho que a culpa foi mais minha do que dele – pronunciou o mago sorrindo, vendo o líquido escuro na caneca. Novamente, mais uma de suas lembranças despertaram. Mas dessa vez, uma bem descontraída.
Era uma manhã como qualquer outra. Um garoto adolescente caminhava de forma ofegante pela trilha de uma floresta. As árvores ao lado dele encontravam-se bem afastadas dando um pouco mais de liberdade pelo caminho de terra e vegetação rasteira. Andando com o corpo inclinado para frente num sinal de cansaço, seus olhos observaram uma pessoa surgindo na virada de uma curva: a pessoa que procurou durante as primeiras horas da manhã.
Ele era um homem adulto, encostado num tronco caído de cor pálida ao lado da trilha. Atrás dele, uma parede de musgo lhe fazia uma confortável sombra. Com um ar muito tranqüilo, ele ergueu uma taça de vinho em mãos e levou à boca. Ao lado dele, havia uma garrafa de vinho de vidro verde, dando para ver a bebida até meia garrafa. O homem portava uma túnica verde escura com alguns detalhes em azul forte no fim dela. Tinha cabelos brancos e longos, sendo que a parte de trás era amarrada por uma fita branca que deixava uma grande mecha cair gentilmente sobre suas costas.
- Ah, olá “pusilânime”! Bom dia! – saudou sorridentemente o homem para o jovem, que o encarava com uma feição cansada. Seus olhos escuros puderam ver algum tipo de frustração nos olhos de Melvin. – Hã. O que foi?
- Acordei às cinco da manhã. Caminhei durante horas tentando encontrá-lo no lugar marcado... – Melvin soltou suas próximas palavras num tom de irritação, mas meio cômico. - ... e descubro que você está há cinquenta Kilômetros do lugar de encontro e ainda bebendo vinho na mordomia!?
- Hã? Esse não é o lugar que nós marcamos? – O homem só precisou olhar para a cara do jovem mago para saber a resposta. Soltou uma risada meio envergonhada e tentou se desculpar. – Foi mal, garoto. É que fiquei caminhando pela estrada até encontrar um lugar tranqüilo para beber, e não me toquei que já tinha andado cinquenta Kilômetros.
- VOCÊ TÁ BRINCANDO COM A MINHA CARA? E QUE NEGÓCIO É ESSE DE FICAR BEBENDO VINHO JÁ PELA MANHÃ? DEVIA ESTAR MAIS PREOCUPADO COM O MEU TREINAMENTO, E NÃO COM ISSO QUE CHAMA DE CAFÉ DA MANHÃ!
- Não fale do que você não sabe. Não tem idéia da maravilhosa sensação de tomar um vinho pela manhã – retrucou o outro homem, tentando se levantar, mas perdendo um pouco do equilíbrio no ato.
- E ainda por cima está bêbado! – Melvin esgueirou seus olhos para a garrafa. – Você bebeu metade do vinho! – exclamou o mago.
- Ah, é só metade. Isso não faz diferença pra mim – O homem de cabelos brancos começou a caminhar, passando pelo garoto em seguida.
- Ei! Ei! Onde você vai? – perguntou Melvin.
- Onde eu vou? Pra casa, óbvio. Hora do almoço!
- Mas e o meu treinamento? – perguntou o mago, acrescentando um sutil desespero em sua fala.
- A culpa é sua por ter se atrasado tanto.
- MINHA CULPA?
- Pare de gritar e pegue essa garrafa de vinho pra mim! Irei complementar meu almoço com ela. – pediu o adulto enquanto continuava se afastando.
- Tem algum nome pra esse seu tipo de vício?
- Eu tenho cara de Enciclopédia? – retrucou o homem. – Você ainda é jovem demais para beber esse tipo de coisa. Isso são para pessoas finas como eu.
- Ah, é? Que tal um aposta? – com o desafio, o homem em frente parou de andar e virou o corpo olhando para o garoto com a garrafa de vinho em mãos. – Se eu conseguir beber essa meia garrafa iremos voltar hoje à tarde para realizar o treino da manhã.
- Tente – proferiu o homem, sem muito entusiasmo.
O menino pegou a garrafa e começou a colocar o vinho goela à baixo pelo gargalo. Sem dar pausas em consecutivos goles, um pouco do vinho resvalou pelo canto de sua boca. Quando finalmente a bebida acabou, ele deu um grande suspiro e deixou a garrafa cair no chão, mas sem se quebrar. O garoto sorriu e olhou para o seu mestre.
- Hehe. Viu? Eu ganhei.
- Será mesmo? – perguntou o homem voltando a caminhar.
Minutos depois, ele andava tranquilamente pela trilha, mas sendo incomodado uma hora ou outra por sons um tanto anormais. Alguns metros atrás dele, Melvin com um aparência nada saudável, tentava segui-lo. Com a mão tampando a boca, via tudo de forma embaçada. Uma vontade não podia ser contida apenas pondo suas mãos como barreira. Sem agüentar mais, o garoto correu para a beira da trilha e vomitou atrás de uma moita.
- Parece que eu ganhei – disse o adulto de forma vitoriosa ao ver que o jovem não conseguiria treinar sem antes se recuperar.
- A culpa foi realmente minha – disse o mago mais uma vez após lembrar-se de um episódio passado.
- Como está o seu negócio com o floricultor? Conseguiu o que queria dele? – Balto perguntou mudando de assunto.
- Não. Mas farei isso antes de partir, ou não poderei sair dessa cidade. Entretanto, existe outro assunto além deste que tenho de resolver.
- O que é? – Balto perguntou pouco antes de Melvin pousar a caneca vazia no balcão.
- Nada de tão importante... – Melvin sorriu e agradeceu a bebida. Andou pelo bar se retirando do estabelecimento, enquanto que no meio do caminho duvidada de sua resposta. – ...eu acho.
Melvin estava de volta à hospedaria Meredith após ter passado em frente à loja de Florisval. Ela estivera fechada durante toda a manhã, e ele não vira sinal dos garotos por perto; Provavelmente chegariam em breve. O mago imaginava como ele e Joana estariam no campo. Deixá-los ficarem juntos depois do que passaram era o mínimo que podia fazer. A felicidade de Florisval estava quase que garantida. Entretanto, apenas uma variável não fora resolvida na história.
Melvin subiu as escadas para o segundo andar, onde caminhou pelo corredor até encontrar a porta do quarto. Ao entrar, analisou o homem deitado sobre a cama. Adler jazia inconsciente numa cama em volta de uma barreira no formato de um paralelepípedo que apenas o mago podia ver. Entretanto, ela também se mostrava um pouco transparente para ele.
- Barreira de Captação Maligna! Desativar! – Com essas duas frases, a barreira desapareceu. Ela tinha o objetivo de captar algum tipo de Energia Maligna emanada do corpo de Adler. Isso só seria possível se o mesmo acordasse, e sentisse algum tipo de raiva quando percebesse que fora derrotado. Apesar dessa hipótese, não era certeza de que funcionasse.
Mas para a sorte do mago, Adler não acordara depois de quase um dia desde que fora nocauteado. Melvin sentou-se numa cadeira na parede em frente à cama e ficou encarando o homem.
“Preciso de mais tempo para usar aquela técnica novamente. Até lá, seria ideal que ele dormisse mais um pouco”. Refletiu o mago. Após alguns segundos, suas pálpebras começaram a pesar. “Isso é ruim! Não durmo desde ontem. Se eu estiver inconsciente, não poderei saber quando Adler irá acordar.”
Por mais que lutasse contra seus olhos, seu sono tendia cada vez mais a dominá-lo. Com a cabeça movendo-se para baixo e para cima, aos poucos o mago ia deixando-se levar pelo cansaço. Mais alguns segundos foram o suficiente para Melvin dormir sentado na cadeira. Adiante na cama, estava o homem que ele tinha que observar.
. . . . . . . . . . . .
Joana e Florisval tomavam seu primeiro café da manhã juntos. Sentiam-se tão felizes que até se esqueceram do pequeno Glin, ainda sobre a mesa, pelo menos era isso o que o gnomo pensava até o camponês lhe oferecer mais um pote de geléia. Os olhos de Glin rapidamente arregalaram, e levantou-se cheio de ansiedade.
- Eu soube pela Joana que você gosta desse tipo de coisa. Por sorte eu tinha mais um desses guardados na despensa – disse o camponês girando a tampa do pote e o pondo na mesa para a alegria do pequeno.
- Delícia! – exclamou o gnomo. Ele não era o único satisfeito com a refeição matinal. Joana também aproveitava bastante do café, da broa, e das frutas.
- Fazia tempo... – murmurou a jovem. Florisval e Glin olharam para ela atraídos pela frase que não escutaram direito. Ela então repetiu num tom mais alto olhando para os demais. – Fazia algum tempo que não comia tão bem pela manhã. – disse refletindo as piores manhãs de sua vida na última semana. Por mais que estivesse farta, sentar com Adler à mesa pela manhã não lhe fazia bem. O clima era pesado demais para ingerir qualquer alimento. Dessa vez, a cada gole de café e a cada mordida de pão, parecia que seu paladar finalmente havia entrado em harmonia com sua mente.
- Esse será o seu café da manhã daqui em diante. É melhor se acostumar – Florisval disse, sorrindo.
- Eu sei.
- Depois que acabar de comer, eu irei lhe mostrar mais o meu campo.
Terminado o café da manhã, foi como Florisval havia dito. Ele e Joana saíram de encontro ao campo florido. Glin permaneceu na cozinha deliciando-se com sua geléia. O casal apaixonado iniciou sua caminhada pelas trilhas do campo de mãos dadas. Joana fitava as variadas flores em volta enquanto seu namorado engatava a conversa.
- Foi meu pai quem construiu esse lugar. Ele tinha uma certa afeição à flores, tanto que me deu o nome de Florisval. – brincou o camponês. – Eu acabei herdando a tarefa de cuidar desse campo.
- Foi muito gentil de sua parte não abandonar este lugar. Sinal de que cuida porque gosta – falou Joana.
- Sim. Você tem razão – assentiu Florisval ao mesmo tempo em que recordava uma cena passada.
Dois jovens de dezoito anos davam seus primeiros passos rumo a uma nova vida. Bartolomeu abriu apressadamente a porta de casa a tempo de ver os filhos a poucos metros dele. Florisval e Eric pararam e viraram-se para o pai atrás.
- Por favor, não vão embora! – implorou o pai olhando nos olhos dos rapazes. Era aparente a preocupação dele, mas os garotos já estavam decididos.
- Sinto muito, pai. Nós... – começou a dizer Florisval sendo interrompido por Bartolomeu.
- O que pensam que vão fazer lá? Só porque vão ganhar bem, acham que podem levar uma boa vida como soldados. Soldados batalham e morrem quando há uma guerra. – falou Bartolomeu num tom bem alto tentando ter algum efeito nos jovens.
- Mas nós não estamos em épocas de guerras, pai. O máximo que iremos fazer é ficar de guarda em algum lugar. Não vai ser nada perigoso. Os únicos inimigos são pequenos bandidos que logo serão presos. Não precisa se preocupar com nossa segurança. Seylor é um dos reinos mais pacíficos que existem.
- Mas e as flores? Elas também sentirão falta! Vocês são tão dedicados no cuidado dela...
- Não somos dedicados porque queremos, e sim porque somos obrigados – disse Eric numa voz irritada, que soou de forma grosseira naquela ocasião.
- Eric... – sibilou Florisval para seu irmão ao ver que aquilo magoara profundamente o seu pai, que hesitou um pouco devido ao choque causado pelas palavras do filho, mas voltou finalmente a falar.
- Se é assim... então deixarei que partam. Eu ficarei aqui para cuidar do campo e da loja. Se acham que esse é o caminho de vocês, então é bom irem. Mas lembrem-se que aqui será sempre um lugar para o qual podem retornar a qualquer momento não importa o que aconteça. – Bartolomeu concordou com a ida dos filhos, embora ele não parecesse muito a favor. O rosto abatido de seu pai ficara gravado na memória de Florisval.
- Obrigado, pai. – agradeceu Florisval. E então os dois filhos de Bartolomeu pegaram a estrada.
- Eu nasci neste lugar, e é nesse lugar que devo ficar – pronunciou o floricultor.
Joana soltou a mão de seu namorado, e andou um pouco mais adiante vendo um pequeno canteiro de rosas vermelhas, uma das mais preferidas dela. Seu olhar acabou fixando-se em algo peculiar mais a frente, perto da encosta de uma colina rente ao campo. Ela caminhou até ele, seguido de Florisval que explicou o que era aquilo.
- É o túmulo do meu pai – disse ele.
Rapidamente, Joana se lembrou de seus guardas no dia anterior. Após ser salva por Florisval na caverna, ela perguntou sobre os guardas que a seguiam. Observando a expressão do camponês que hesitava em falar sobre aquilo, começou a adivinhar o que acontecera. Todos estavam mortos. Derramando rios de lágrimas num choro incontível, Florisval lhe abraçou lamentando a morte dos amigos da jovem.
Ao saírem da caverna, o floricultor pediu para que ela não visse os corpos por estarem num estado chocante. Entretanto, o pedido de Florisval não foi o suficiente para que seus olhos ficassem fechados. Ficou pasma com aquela terrível visão dos homens que seguiram sua família por um longo tempo. Todos mortos e incinerados no chão. Voltou a fechar os olhos não agüentando mais olhar para eles.
Como os corpos não podiam ficar daquela maneira, jogados ao ar livre, foi decido que eles seriam “enterrados” na caverna de Glin. Os móveis haviam sido completamente consumidos pelo fogo anteriormente. O gnomo não tinha mais motivos para ficar naquele lugar, até porque a missão de proteger o tesouro se encerrara. Sem lugar para ir, ele acabou na companhia de Joana e Florisval. Melvin e o camponês trataram de levar um a um, os corpos para dentro da caverna. Ninguém poderia encontrar o esconderijo de Glin, visto que era escondido pela magia do próprio, que só cessaria caso ele morresse. Lá, ficaram os seis guardas que protegeram até o fim a família Goldin, apesar de um deles não ter feito isso severamente, mas encontrando o mesmo fim que os demais.
Melvin acabara levando Adler com ele para a cidade, enquanto Joana, Glin, e Florisval foram para casa no campo.
- Meus amigos também foram mortos – disse Joana retornando de sua lembrança do dia anterior.
- Sinto muito. Não consegui protegê-los – lamentou o floricultor.
- A culpa não é sua. Eu que insisti nessa caça ao tesouro. Se eles estão mortos, a culpa é toda minha.
- Não se culpe também. Eles te seguiram porque quiserem protegê-la de coração. Eu faria o mesmo no lugar deles. – Florisval retirou uma flor de dentro de seu colete e mostrou a amada. – Essa foi a flor que usei para entrar na caverna e apagar o fogo. Choradella. É uma flor mágica como a Rosa do Ligamento. Eu queria que ficasse com você. – disse dando a flor na mão dela. Joana a pegou, e sorriu.
- Antes de você entrar na caverna, a Rosa do Ligamento, estava aqui dentro – Joana disse apertando a roupa na região do peito. – Vou colocar a Choradella no mesmo lugar. – a mulher colocou a flor por debaixo da roupa, e a apertou novamente, desta vez sentindo a flor ali dentro. Seus olhos fitaram o amado com um rosto feliz. Ela lembrou-se de uma frase dita por sua mãe, num sonho há pouco tempo.
“Fique naquele campo e você concederá felicidade àquele que ama.”
- Eu irei até a cidade avisar aos garotos que não abrirei a loja hoje. E vou passar na hospedaria para ver como está o Melvin. Quer vir junto? – perguntou Florisval. Joana ainda estava pensativa sobre a frase de sua mãe. Mas a pergunta lhe fizera sair do transe.
- Ah, não. Eu acho que vou ficar por aqui e fazer o almoço para quando você voltar. Além disso, esse lugar me agrada bastante.
- Já que prefere assim... – Florisval deu um selinho de despedida e disse para ela. – Voltarei em breve. Ainda hoje irei lhe ensinar a cuidar do campo.
- Então volte rápido – falou ela sorrindo. O camponês afastou-se e Joana fitou-o caminhando lentamente para fora do campo. Ela sentiu algo estranho naquele momento. Como se tudo estivesse tão perfeito quanto a um sonho. Ela estaria mesmo vivendo uma vida perfeita? Tudo que sabia, era que sua felicidade nunca havia sido tão grandiosa.
. . . . . . . . . . .
Uma tênue luz iluminava a imagem daquele homem tão importante. Ele olhava para a enorme janela de um refinado quarto de sua mansão. Ao lado dele, uma lareira empoeirada com algumas lenhas inseridas nela. Com as mãos para trás, Silmor Collens fitava a luz do luar penetrando pela janela e incidindo contra seu corpo.
Adler aproximou-se em passos calmos até aquele homem, como se demonstrasse respeito ao seu pai. Mesmo parando alguns metros ao lado dele, seu pai não movera um músculo. Seu rosto continuou virado para o céu visto pela janela.
- E então? – perguntou Silmor, quebrando o silêncio.
- Eu consegui – respondeu o filho num tom natural. – Consegui obter o tesouro dos Goldins. – disse como se quisesse ouvir um elogio.
- Muito bem, meu filho! – Adler ouviu o que queria. A frase de um trabalho bem feito. – Mas... – A preposição pronunciada arregalou levemente os olhos de Adler. – Você não a matou, não foi? Joana Goldin... Ela está viva. – disse ele numa voz que emanava irritação e frustração. – Por quê? – Silmor virou seu rosto lentamente para o filho. – Por que você não a matou? – perguntou com um olhar furioso.
Adler ficou um tempo sem palavras, mas resolveu explicar o que havia acontecido.
- Eu tentei! Mas acabei encontrando contratempos. Havia um... mago. – Adler lembrava-se de sua tentativa fracassada de matar Melvin. – Eu... não consegui matá-lo.
- Não conseguiu... – Silmor voltou novamente a olhar para a janela enquanto falava. - ... mas deveria. Com Joana e o mago vivos, principalmente este último, nossos planos falharão. E então daremos adeus a tudo o que cobiçamos. Essa missão não admite falha! Volte com o tesouro e desapareça com as testemunhas! – ordenou o homem. Adler olhou para baixo sabendo da importância daquela ordem. Entretanto, pela sua última experiência, sabia que não seria fácil.
- Eu não sei se consigo derrotar aquele cara – proferiu de forma hesitante.
- Talvez você tenha razão – disse uma voz familiar que não era a de seu pai. Ao olhar novamente para frente, viu que a imagem de Silmor havia dado lugar a de Melvin. O mago o encarava com um sorriso convencido. – Você é apenas um humano comum se aproveitando de um poder inconveniente. Não pode me vencer com isso. – Melvin caminhou lentamente em direção a Adler, que fazia uma expressão meio assustada. O mago parecia ameaçador sob a luz do luar. – Você é só um humano. Ambições humanas são banais para um mago... – Melvin parou em frente ao nobre, e ergueu o seu cajado vermelho para o alto como se estivesse prestes a atingir o homem. - ... e é fácil quebrá-las. – O mago movimentou o cajado verticalmente e Adler colocou os dois braços na frente do rosto.
- PARE! – gritou ele, assustado. Passado alguns instantes, estranhou não ter sentido nenhum choque. Quando retirou os braços da frente dos olhos, notou que não havia mais ninguém a frente. O local onde o agressor se encontrava estava completamente vazio.
Foi então que uma tímida chama se acendeu inesperadamente na lareira. As lenhas começaram a queimar pelo fogo que aumentava a cada instante. Adler olhou de forma tensa para as chamas que preenchiam a lareira. Mas o que mais lhe assustou foi uma voz forte e grossa.
- Se aproxime! – ordenou num tom ameaçador. Adler tremeu um pouco diante daquela fala, mas tomou coragem para se aproximar. A cada passo dado, o calor vindo da lareira esquentava sua pele. As chamas bruxuleavam em seus olhos. Uma imagem parecida com um rosto humano se formou entre as chamas. – Irei lhe dar o poder que precisa para que derrote aquele mago. Toque as chamas!
Adler ainda estava impressionado com aquela aparição. Mas não se sentia assustado ou ameaçado com aquela entidade. O fogo tornou-se seu aliado há pouco tempo. Além do mais, derrotar o mago que o atrapalhara era o que mais queria. Visto isso, não havia motivo para recusar. Aquelas chamas eram com certeza sua aliada.
Ele agachou-se diante da lareira e fez sua mão tocar o fogo. No mesmo instante, as chamas começaram a correr pelo braço do homem. Em poucos instantes, Adler estava com seu corpo em volta por chamas aliadas.
. . . . . . . . . .
Os olhos de Adler se abriram lentamente enquanto seu corpo pousava sobre a cama do quarto. Melvin permanecia dormindo numa cadeira em frente.
As pessoas de Govenrrar caminhavam sossegadas pela rua em frente à hospedaria Meredith, quando tomaram um susto com um som estrondoso. Atraídas pelo barulho audível quase por toda a cidade, as pessoas nesta rua olharam para os estilhaços de uma janela que voavam no ar. No mesmo instante, algo semelhante a um meteoro em chamas saiu daquela janela e iniciou um vôo pela cidade.
“O que é aquilo? Você viu isso? Aquele quarto explodiu, vocês viram?”Perguntas eclodiam das várias pessoas próximas ao incidente.
Ramon e Dimas que estavam na rua da loja de Florisval, ouviram um estranho som não muito longe. Em seguida, viram algo chamejante riscando o céu azul sob eles.
- O que é aquilo? – perguntou Dimas ao seu amigo.
- Eu não sei – respondeu o outro.
Florisval também ouvira o barulho, e ao notar que as pessoas ao redor olhavam para o céu, viu um cometa em chamas sobre todos ali presentes. Ele arregalou os olhos, e sentiu um frio no estômago. Aquilo era algo bem incomum. Ficou deduzindo sobre o que aquilo poderia ser. Chamas... fogo... anormalidade... Melvin... Adler. Sua linha de pensamento lhe assustou. Seus olhos sobre o cometa analisaram sua direção. Estava indo para o leste, para a mesma direção de sua casa.
- Não pode ser! Se for ele mesmo, então... Joana! – Concluindo algo terrível, ele começou a correr desesperadamente pela cidade. Adler estava indo para o campo florido, provavelmente seguindo a informação que recebera de um dos guardas de sua namorada. – Que droga! Tenho que voltar rápido! – exclamou já com os pés fora da cidade e encaminhando-se para e estrada que o levaria de volta para casa. Ele mirou seu olhar no céu a frente, e observou um pequeno ponto laranja já bem distante. O desespero aumentou mais ainda, mas sua velocidade não podia ir mais além do que aquilo. Estava dando tudo de si para chegar a tempo.
Seus passos constantes e rápidos pareciam uma eternidade. No caminho, a imagem de Joana e todos os momentos que eles tiveram juntos passaram como um filme em sua cabeça. A angústia de não vê-la novamente, de não olhar para os seus olhos dourados, de não mais sentir o calor de seu corpo. Tudo isso foram motivos para cada porção de lágrimas que escorria de seus olhos marejados. Ele não sabia o motivo, mas seu peito doía. Temia que o pior já tivesse acontecido. Toda vez que essa possibilidade lhe passava pela cabeça era um tormento que consumia toda a sua esperança.
Mais ao longe, ele notou uma fumaça cinzenta se elevando aos céus. Seu desespero e tristeza aumentaram ainda mais ao perceber que seu campo ficava naquela direção.
- Joana! – gritou solitariamente pela estrada. Mais alguns minutos, e chegaria em casa. Um bosque lhe impedia de ver o campo e seu casebre, mas atrás dele, erguia-se uma coluna cinzenta por algo em chamas. Seu campo foi a primeira coisa que pensou. Uma tragédia inaceitável lhe passou pela mente.
A visão nefasta foi finalmente revelada ao virar a curva do bosque. Enormes labaredas preenchiam quase a metade de seu campo. Ainda assim, as chamas eram assustadoras e olhando para elas pareciam estar lhe encarando como se estivessem vivas. Todas as flores queimavam virando cinzas no ar. Florisval ficou parado ouvindo o som constante da queimada e olhando seu campo ser destruído.
Uma silhueta apareceu no meio de uma enorme labareda no campo. Parecia um demônio caminhando entre o fogo. Ele carregava alguma coisa pelo braço. Quando ele começou a caminhar saindo do fogo, a imagem de Adler não chegou a espantar Florisval tanto quanto o que ele segurava. Sua mão estava agarrando um corpo em chamas pelo braço.
O camponês não queria acreditar que aquele corpo era de quem pensava que era. Para tirar sua dúvida, Adler esboçou um sorriso malicioso mostrando com sua outra mão, a fita dourada que prendia o cabelo de Joana. Essa mesma fita foi consumida por uma chama que saiu das mãos do homem. Adler atirou mais adiante o corpo em chamas de Joana ao chão. Florisval, na borda do campo, olhou para ela. Seus olhos de onde saiam rios de lágrimas expressavam sua surpresa. Gaguejou algumas palavras que finalmente saíram num grito desesperado da mulher que amava.
- JOOAAANNAAAAA!

2 comentários:
Puxa, uma tragédia!
Mas vou acompanhar assim mesmo, não como certas pessoas que largam uma história só por que um dos personagens altamente presentes morre...
Além disso a história é boa, quero saber o final.
Eh, realmente essa tragédia foi um choque, mas queria mesmo criar essa sensação após o clima meio que feliz dos personagens.
Mas continue acompanhando, porque os próximos serão bem legais e que podem lhe surpreender. Mas claro, não vou soltar spoiler aqui. hehe
Kra, valeu mesmo por acompanhar. Poucos comentam aqui, se puder der uma comentada em cada capítulo seguinte, só pra saber qual a sua opinião sobre o andamento da história.
Até mais. Uma hora, eu ainda comento lá a sua. ;)
Postar um comentário