13 de Julho de 2009

Mundo Sombrio - Capítulo 08 - Colisão

- Acho que ele já foi – falou o gnomo aproximando o ouvido da parede. Ele e Joana estavam presos na segunda parte do recinto na caverna.
- Você pode criar paredes? – perguntou Joana atrás do pequeno Glin.
- Não exatamente. Muitos diriam que é uma magia Elemental, mas não é. Esse lugar é o meu lar, então posso modificar a forma dessa parte da caverna a meu bel-prazer. Como por exemplo, criar uma nova parede. Entretanto, dependendo da mudança, pode me consumir muita energia, como essa agora.
- Entendi.
- Posso ser pequeno, mas também tenho minhas qualidades – elogiou-se olhando para a jovem. Foi então que algo lhe veio em mente seguido de um sentimento de culpa. – Me desculpe, Joana. Eu falhei. – proferiu o gnomo de forma melancólica. – Há três gerações que protejo o tesouro de sua família, e o deixo ser roubado... Que tipo de guardião eu sou? Você já viu algum guardião tão pequeno como eu? Eu... sou um fracasso. – Observando a expressão lamentosa de Glin, Joana notou os olhos dele marejarem. – Havia poucos gnomos no mundo pelo o que meu pai me contava, e eu tinha bons laços com a maioria. Muitos sempre me visitavam aqui na caverna; meu pai e meus amigos. Mas... há seis anos, todas essas visitas terminaram. O tempo foi passando e a pergunta que eu me fazia durante todos os dias foi ficando cada vez mais clara. O motivo pelo qual eu não recebia mais visitas era porque não havia quem me visitar. Eles já não existiam mais. O último a me visitar foi o seu pai naquela mesma época. Depois dele, você e aquele homem foram as primeiras visitas a parar naquele muro de madeira. Proteger o tesouro era o meu trabalho, era a minha obrigação. Pois era o tesouro de pessoas importantes como você e seu pai; os únicos amigos humanos que eu tinha. E eu... falhei. – terminou Glin resvalando lágrimas em sua face.
Joana agachou-se e sorriu para o gnomo.
- Não se preocupe com isso, Glin. A culpa não é sua. Você fez um bom trabalho durante todos esses anos. É quase como da família, apesar dela não existir mais – proferiu a última frase desviando os olhos. Tornou a fitar o gnomo. – Mas é melhor pararmos aquele homem mal. Não posso deixá-lo fazer o que quiser à custa do que meu pai confiou a mim. Tenho que impedi-lo.
- M-Mas é muito perigoso. Você não tem chance contra ele. Aquele homem não é mais humano.
- Eu sei. Mas eu preciso tentar – disse determinada, pondo-se de pé. – Por favor, me diga uma maneira de sair desse lugar. Pode desfazer essa parede?
- Sim, mas... – Glin hesitou um pouco em realizar o pedido de Joana. Mas apenas o olhar que ela lançou-lhe demonstrava que ela implorava por aquilo. Após um suspiro, ele virou-se para a parede que dividia o recinto atrás dele, e fez um movimento com as duas mãos para que ela desaparecesse.
Neste mesmo instante, um ar quente foi soprado em direção aos dois. Seus olhos notaram o panorama infernal adiante. Tudo estava queimando. Glin tentou proferir alguma palavra, mas sua boca aberta apenas dizia o quanto estava surpresa.
- Meu Deus! Ele... – Joana murmurou.
- Meu lar... está queimando – Glin fitou as labaredas de fogo consumindo todos os móveis do local. O corredor que dava acesso a saída, encontrava-se intransponível devido às ardentes chamas que impediam qualquer passagem por ali. Sem notarem, o fogo começou a atingir a outra parte do recinto, o qual Joana e Glin se encontravam. A mulher logo notou o fogo se aproximando pelos lados, enquanto o gnomo, ainda em um estado de trauma, observava o lugar sendo devastado.
- Glin! – chamou a voz de Joana em meio ao som dos estalos causados pelas chamas. – Temos que sair daqui! Esse lugar está queimando. Glin! – gritou mais uma vez o nome do gnomo que só então se pôs a fitá-la. – Glin! Temos que sair daqui! – O gnomo voltou o olhar para o corredor em chamas ao fundo do recinto inserido na lateral da caverna, que dava para o muro de madeira.
- Impossível! Aquela é a única entrada e saída deste lugar. Não há por onde sair. Eu não posso usar a parede novamente. Aquilo consumiu muito energia minha.
Joana olhou para o corredor que era a única passagem para a luz do dia. Toda a esperança sendo consumida pelas altas labaredas que queimavam ali, a madeira das prateleiras naquele corredor. O fogo continuava a se aproximar lentamente pelos móveis encostados uns aos outros. Mas o que mais intrigou Joana foi que as chamas pareciam ter vida própria em alguns momentos. De uma mesa em chamas para a outra, o fogo parecia ter pulado para a seguinte como se estivesse programado para fazer isso. Além disso, parecia se arrastar pelo chão como se queimasse a terra. Aquilo com certeza não eram chamas comuns. Era o fogo assassino de Adler.



Capítulo 08

Colisão


- Pare! – gritou Melvin, depois de terem corrido um bom trecho pela floresta. O olhar do mago era preocupante.
- O que foi? – perguntou o floricultor. Melvin continuava com a mesma face abismada.
- Isso é... – uma onda de energia havia passado por ele há poucos instantes. Podia sentir claramente o significado daquilo. - ...Energia Volaki!?
- Energia... Volaki? – repetiu o camponês desconhecendo o termo.
- A energia responsável por todos os poderes dos magos atualmente – explicou Melvin. – Os portadores desta energia podem sentir uma ressonância quando elas são usadas muito próximas uma da outra. Ao que parece, alguém com essa mesma energia se encontra nesta direção.
- O que isso quer dizer? Que há algum outro mago por perto?
- É uma hipótese pouco provável. Adler e Joana estão naquela direção, então... pode ser que um deles... – Melvin parou tentando refletir o que iria falar. Alguns pontos importantes lhe passaram pela mente, fazendo-o murmurar algumas palavras. – Tesouro... guardião... tesouro... – Melvin esticou o olhar na direção de onde sentira a energia. – Não pode ser! Seria esse o tesouro dos Goldins?
- O que? – Florisval perguntou, recebendo o olhar do mago em seguida.
- Uma Esfera Volaki! – respondeu. – Continue correndo! – ordenou Melvin, pondo-se na frente do camponês.
- O que é essa esfera Volaki? – Florisval perguntou correndo junto ao mago.
- Algo que dá poderes. Fique atento! – Melvin alertou o camponês que o seguia


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Com seu rosto sobre o chão, os olhos de Neal observaram os passos de Adler se aproximarem. Havia feito tudo o que podia para tentar matá-lo, mas no fim, nada valera à pena. Apresentando queimaduras em várias partes do corpo, tentava suportar uma ardente dor. Por esse motivo, mal encontrava forças para se levantar. Os pés de Adler pararam a poucos centímetros de sua face. Foi então que sentiu a gola de sua camisa ser puxada. Adler, com um sorriso maléfico, levantou o seu corpo deixando seus rostos frente a frente.
- Neal, o líder e o mais responsável entre todos os guardas da família Goldin. Deveria ter arrumado um trabalho melhor, pois nesse você falhou vergonhosamente. Me diga! Quem você conseguiu proteger? Boris? Joana? Os seus guardas? Por falar neles, estão todos mortos ao seu lado, com exceção de um. Mas o que realmente quero dizer é que... você é desprezível. – disse com um sorriso cômico no rosto.
- Você... será queimado por seu próprio fogo assassino – rebateu o guarda de cabelos negros. Adler permaneceu com seu sorriso.
- Irei queimar sua vida com o meu fogo assassino – proferiu segurando Neal com apenas uma mão, e com a outra, erguendo-a rente a cabeça do guarda. Dela, saiu a rajada mortal que incinerou a cabeça de Neal. Pouco antes de sua morte, ele apenas gritou de dor, tendo tempo apenas de lamentar mentalmente a sua falha em proteger Joana.
- Huh! – soltou o assassino após ter queimado o guarda, jogando-o no chão, e em seguida lançando seu olhar para o último. Durval continuava imóvel na mesma posição desde que Neal fora pego. Sua adaga era segurada fracamente por sua mão direta, e sem vontade nenhuma de usá-la. Tremia de medo que Adler fizesse o mesmo com ele. – Parece que você foi o único que sobrou. Você é um bom garoto. Com isso percebeu que a honra para uma família nobre de pouco adianta se não pensa em si mesmo. Por isso, muito obrigado pelas informações dadas na noite de ontem. Imagino que ainda esteja com o dinheiro, e veio atrás de mais. Não seguiu os guardas para proteger a Joana, e sim para buscar o dinheiro extra que prometi ontem.
- Se o senhor quiser não precisa me dar. O que tenho já o suficiente, mas por favor, não me mate! – Durval implorou num tom de desespero. – Eu não farei nada de mal ao senhor. Eu juro! Eu não sou tão fiel a família Goldin, já que aceitei seu dinheiro antes. Por isso não sou uma ameaça. – dizia o guarda tentando justificar seu motivo para viver.
- O egoísmo é a salvação das pessoas, não acha? É uma pena que em alguns casos... – Adler ergueu o braço em direção ao jovem guarda. - ...também seja sua destruição! – Soltou uma rajada de chamas seguida de uma risada maléfica.
Instantes depois de acabar com o último guarda, Adler ainda apreciava os corpos queimados ao seu redor em aparências nada agradáveis. Todos mortos por ele em prol de sua nova vida. Restava apenas uma única pessoa a ser finalizada: Joana Goldin. Quase se esquecera do pequeno que o atrapalhara. De qualquer forma, pretendia matar os dois.
Com os olhos centrados na caverna, ele começou a caminhar até ela. Mas um fator incomum o fez voltar-se abruptamente para a floresta atrás dele. A sensação foi de algo que não sabia o que era por nunca tê-la sentida, e guiado por ela, observou um inesperado jato de água vindo em sua direção. A surpresa foi tão grande que lhe deixou sem reação de defesa. O jato o atingiu em cheio, jogando seu corpo no chão alguns metros atrás.
- O que... – murmurou Adler olhando adiante, com seu corpo ainda ao chão. Ele arregalou os olhos ao observar duas figuras à frente da floresta. Uma delas estava com um arco na mão, enquanto a outra erguia um cajado apontado para ele. Ambos lhe encaravam com uma expressão séria. Adler observou atentamente o homem com o cajado. – Você... – Adler levantou-se já reconhecendo uma das pessoas à frente. - ... é o cara de ontem.
- Adler... – Melvin começou a dizer sem abaixar a mão com sua arma. - ...você acabou se tornando um cara mais perigoso do que já aparentava.
- Eu já devia ter suspeitado antes. Um mago, não é? Posso saber o que um mago está fazendo aqui?
- Eu que devia fazer essa pergunta – respondeu Melvin num tom de ironia. – O que um nobre com você faz no meio de seis corpos incendiados? – Florisval que até então só mantinha os olhos em Adler, passou a observar melhor o cenário adiante. A aparência dos corpos no chão era mesmo de que foram queimados. A tonalidade escura impedia o reconhecimento de cada um.
- Onde está Joana? – perguntou o camponês com um leve desespero, pelo fato de imaginar que um dos corpos seja de quem está procurando. – Ela não está...
- Fique tranqüilo! – Melvin o confortou. – Ela não é nenhuma das pessoas à frente. Provavelmente são os seis guardas que a protegiam.
- Então onde ela está? – perguntou Florisval para o mago, ainda meio em desespero. Saber que ela não estava entre os corpos no chão não foi o suficiente para acalmá-lo.
- Está na caverna – respondeu Adler, recebendo o olhar do floricultor. – Eu estava querendo matá-la desde o início, mas acabei falhando. Entretanto... – Adler olhou para a caverna atrás dele. – Há menos que exista outra saída além desta, provavelmente ela estará morta em breve.
- O que disse? – O floricultor ficou irritado com aquela suposição.
- Florisval! – chamou o mago. – Entre na caverna e tire Joana de lá. Eu deterei Adler enquanto isso.
- Está bem – assentiu o camponês. Ele fitou o homem em frente, e iniciou uma corrida rumo à entrada da caverna, mas passando o mais longe possível dele. Adler apenas rolou os olhos para a esquerda, observando o floricultor passando bem além dele.
- Huh! – Adler elevou o braço na direção de Florisval, e soltou uma rajada; mas que não chegou ao seu destino devido a um jato de água que colidiu lateralmente com ela. Uma nuvem branca causada pelo resfriamento se formou perto de Florisval que permaneceu imóvel por causa do ataque surpresa. Adler suspirou insatisfatoriamente, voltando-se para o mago que mantinha seu cajado suspenso.
- Vá, Florisval! – pediu o mago enquanto encarava Adler. O camponês apenas reiniciou sua corrida sem dizer nada.
- Um mago e um camponês. Sorte a minha vocês chegarem atrasados. E pensar que queriam mesmo proteger aquela mulher – disse Adler com uma feição irônica.
- Você... sabia que estávamos chegando? – perguntou o mago.
- Basta um homem ser corrompido e todo o sistema de segurança não servirá para nada. Quem será o culpado? O dinheiro ou o homem que aceitou?
- Não me diga que subornou um dos guardas de Joana? – Melvin perguntou após sua rápida conclusão. Adler olhou para um corpo ao lado e falou novamente.
- Coitado! Ele era tão jovem, e tão ingênuo. Pensou que poderia sair dessa história com uma alta grana escondida. Uma mente egoísta, que eu admiro, mas tão patética que chega a ser engraçada. – disse dando uma rápida risada. – Parece que também terei que matá-lo, mago. Aqueles que atrapalham o caminho de riqueza da família Collens devem morrer. – proferiu Adler sem medo algum da pessoa adiante.
- E aqueles que executam ações como a que você fez agora devem sumir deste mundo – Melvin disse com os olhos estreitados.
- Oh, é mesmo? – zombou o outro. Melvin esboçou um sorriso. – Qual é a graça?
- Sorte sua que o meu “sumir” não significa que você tenha que morrer. Entretanto, por hora não poderei aplicar essa minha filosofia em você. Por isso, irei apenas detê-lo. Mas antes tenho perguntas a lhe fazer.
- Perguntas?
- Você... tocou em uma Esfera Volaki, não é? Série 04 de alguma inicial. Elemento fogo. Onde a conseguiu?
- Ah, está se referindo a esse poder que tenho agora!? – Adler olhou para seus braços sentindo novamente sua sensação de grandeza. – Isso é maravilhoso! É magnífico!
- Onde a conseguiu? – Melvin perguntou num tom mais forte. – Esse... esse era o tesouro da família Goldin? – O mago recebeu um sorriso pela pergunta.
- Vejo que está bem informado. Está certo! O que tenho dentro de mim é o tesouro que eu tanto sonhei. Algo que me fizesse superior a todos. Algo que me desse a sensação de ser “especial”. Como um Deus!
- Huh, não me faça rir. Você é apenas um mero humano experimentando uma força desconhecida e inapropriada. A sensação para os seres mais fracos é a mesma que está sentindo agora.
- Quer testar se sou mesmo um ser fraco? Não fique se gabando só porque é um mago.
No mesmo instante em que terminou a frase, Adler lançou uma rajada de fogo sobre o oponente. Melvin esquivou-se a tempo pulando para a esquerda, enquanto o ataque abrasava os arbustos atrás dele. As folhagens queimavam, sendo que algumas eram levadas pelo vento e se desintegravam no ar. Adler fitou o mago próximo às folhas chamejantes e flutuantes.
- Não fique se gabando com um ataque de fogo tão básico – retrucou Melvin.


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O fogo já tomava conta de quase todo o lugar que um dia fora a moradia de Glin. Ele e Joana estavam encolhidos no chão, observando aquelas estranhas chamas consumirem e queimarem cada parte daquele ambiente. Restavam apenas poucos cantos a serem incinerados. Os dois encontravam-se no fundo do recinto, olhando a visão infernal cada vez mais próxima.
- Nós vamos morrer! Nós vamos morrer! – repetia o gnomo, deixando-se levar pelo desespero. Joana, ao seu lado, olhava para baixo pensando nas palavras ditas por Glin.
- Morrer... morrer... Se isso acontecer, talvez eu consiga rever meu pai e minha mãe. Eles apenas existem na morte. Neste mundo, a única presença que poderia sentir deles foi roubada. – refletia com as mãos juntas rente ao busto. Foi quando sentiu algo escondido dentro de seu vestido. De lá, ela tirou uma rosa num tom azul bem forte. Fitou a flor por alguns instantes até que uma frase despertou de sua memória.
“Quando partir com Adler para procurar o tesouro ao amanhecer, eu saberei onde você está. Portanto, não permitirei que se afaste de mim. Quando a flor ficar nessa cor, estarei bem perto de você.”
- Florisval! – exclamou ela.


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Passos ecoavam pela caverna. Um homem corria desesperadamente em meio ao lugar pouco iluminado, gritando com freqüência o nome “Joana”. Queria muito encontrá-la e salvá-la.
- A flor estava azul antes de entrar na caverna. Me espere, Joana! Eu estou perto! Eu estou chegando!


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- Quem? – perguntou Glin, desconhecendo o que a jovem acabara de dizer.
- Ele está vindo! – proferiu ela, mantendo os olhos sobre a Rosa do Ligamento completamente azulada.
- Joana! – o grito do gnomo fez a mulher acordar de sua esperança, e notar uma chama crescente à frente. Ela começava do chão erguendo-se do solo como se fosse uma cobra prestes a atacar sua presa. Nela, os dois puderam ver uma sinistra face de alguém que procurava dar fim à vida.


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Florisval percebeu uma luz alaranjada adiante. Após correr mais um pouco, viu que eram enormes chamas que lhe impediam a passagem.
- Joana! – gritou o camponês ao notar o que aquilo poderia significar. Parou em frente ao muro em chamas pondo seus braços na frente do rosto para se proteger das sobras cinzentas queimadas pelo fogo. – Joana! – gritou mais uma vez sem obter resposta. Sua voz era quase inaudível devido ao barulho que as labaredas provocavam. – Que droga! – rezingou.
Mas sem demonstrar desesperança, e ainda confiante e determinado em salvá-la, tirou uma peculiar flor de seu colete. Ela tinha uma haste marrom, e suas pétalas eram fechadas e curvadas num tom azul bem claro. Também pegou uma flecha de sua bolsa nas costas, e nela amarrou a flor usando uma linha. Posicionou a flecha em seu arco e se preparou para atirar. Seus olhos firmes nas chamas em frente. O risco daquela ação poderia significar a morte de Joana, mas era a única maneira de salvá-la. Puxou a flecha para trás, e antes de atirar proferiu algumas palavras.
- Derrame o seu pranto! Choradela!
A fecha foi atirada, e no mesmo instante a flor presa à ela começou a emanar uma grande quantidade de água em todas as direções. A flecha penetrou nas chamas ao lado de uma quantidade surreal de água que tratou de apagar as enormes labaredas do lugar. Nuvens de resfriamento apareceram e as chamas foram sumindo. A seta passou em disparada pelo corredor de entrada ao recinto de Glin, ao mesmo tempo em que um turbilhão de água invadia o local, engolindo qualquer chama nele.
Joana no fundo da sala, apenas ouviu um anormal som vindo da frente. O fogo em forma de cobra estava para dar o bote quando ela sentiu uma onda de água colidir com o seu corpo apagando na mesma hora aquela chama mortal. Apesar do líquido ter batido apenas até o seu peito, quem mais sofreu foi Glin, que apareceu um pouco mais a frente, todo encharcado e tossindo bastante. Joana não entendeu como aquilo aconteceu. O lugar que antes parecia um inferno de chamas, agora pouco se era nítido devido às nuvens brancas. A água desaparecia lentamente do recinto de forma inexplicável.
Foi então que algo chamou a atenção da jovem na visão não nítida em frente. Uma silhueta através da fumaça apareceu adentrando no lugar. Ele caminhou em direção a ela, e a vinte metros de distância, mostrou sua imagem diante de Joana, que o olhou surpresa.
- Florisval... – murmurou a mulher ainda pasma.
- Eu estava perto, não estava? – perguntou ele com um sorriso.
Joana observou a aproximação do homem que salvou sua vida. Ela ainda estava surpresa por vê-lo naquele lugar. Nunca lhe passaria pela cabeça que uma enxurrada apagaria o fogo que estava prestes matá-la. Glin também fitava o camponês com uma feição abismada e boquiaberta.
- Florisval, você... como? – perguntou a mulher. O floricultor a poucos metros dela, ainda agachada no chão, respondeu sorrindo.
- Eu não disse... que estaria perto quando chegasse a hora. Prometi ajudá-la nessa missão, e foi o que eu fiz e ainda preciso fazer. – Ele agachou-se e acariciou o rosto de Joana. O vestido da jovem estava todo encharcado. – Você está bem? – perguntou preocupado, mas ao mesmo tempo feliz por vê-la viva.
Percebendo aquela expressão e aquele afeto, ela desabrochou seu rosto de surpresa, e em seus olhos, lágrimas começaram a descer. No mesmo instante, jogou seu corpo sobre Florisval, o envolvendo num caloroso abraço. O camponês pôde sentir a roupa ensopada em contato com ele, mas algo que não era material tocava ainda mais fundo, lhe trazendo uma sensação maior que qualquer outra: carinho. E dentro desta sensação, ambos sabiam que algo em especial brotava de forma tímida, e que aos poucos tomavam conhecimento do que era: amor.
Joana não sabia se sentia tristeza ou felicidade naquela situação. Seu objetivo havia falhado, mas em contrapartida, havia encontrado algo muito valioso e inesperado. O quente abraço entre eles trazia a sensação de que “estava tudo bem”. Mesmo perdendo, ganhara algo muito especial e do mesmo tipo do tesouro que estava procurando. Um laço sentimental com os seus pais através de um objeto tinha o mesmo valor de seu sentimento por Florisval. Mas no caso do floricultor, havia sim algumas diferenças, e com aquele abraço, elas se tornaram visíveis em sua mente. Não precisava de algo material para se sentir bem, ela tinha algo vivo em seus braços. Não precisava remoer as lembranças boas do passado para sobrepor as ruins, pois construía uma boa lembrança naquele mesmo instante. Feliz por ter notado essas distinções, abriu um sorriso em seu rosto pousado docilmente sobre o ombro de seu amado.
- Fico feliz de tê-lo encontrado – proferiu ela, com base em seus sentimentos. O camponês rolou os olhos para o lado, mirando nos cabelos castanhos da jovem. A frase dita por ela também lhe fez refletir.
Solitário. Essa era a palavra que mais combinava com ele, segundo o próprio. Mesmo sendo um rapaz gentil, cuidando das flores do campo e da loja de forma dedicada, faltava algo. O sorriso que mostrava para os seus clientes escondia uma profunda tristeza que ninguém sabia, nem mesmo Ramon e Dimas, seus ajudantes. O fato era que dia após dia, em suas mesmas tarefas, Florisval não encontrava algo que lhe fizesse mudar. Essa mesma vontade de mudar as coisas havia tomado conta dele há alguns anos, o que levou ele e seu irmão para Seylor, e eventualmente para a guerra.
“O que eu espero na minha vida? O que eu espero?”
Essa mesma pergunta tormentou o floricultor que sonhava em encontrar a resposta.
“A vida que levo não é suficiente? Por quê? Por que eu espero algo? Por que eu tomo isso como algo tão importante?”
Apertando um pouco mais as suas mãos nas costas de Joana, ele também sorriu e pronunciou com base em seus sentimentos.
- Eu também... estou feliz de tê-la encontrada – Florisval, também derramava lágrimas de felicidade.
Glin, muito mais ensopado que Joana, olhava o casal agachado e abraçado. Ele fungou o nariz antes que o muco saísse por ele. Seus olhos marejados não suportavam aquela situação.
- Assim também vou chorar.


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Melvin ainda encarava Adler, este que nada fez desde o seu último ataque.
- Obrigado – agradeceu o mago.
- Pelo o que? – Seu oponente incompreendeu aquela palavra.
- Por ter tirado minha maior preocupação até então – respondeu Melvin, sorrindo. – Se não sou o único usando Energia Volaki, quer dizer que não preciso guardar a maior parte em mim. O conselho de uma certa pessoa já não vale a pena.
- O que quer dizer com isso? – perguntou Adler, ainda confuso.
- Que não preciso pegar leve com você – respondeu com um sorriso confiante no rosto.
- Como é? Não precisa pegar leve comigo? – Adler perguntou sobre a declaração convencida de Melvin. – Vocês magos são seres bem estranhos. Mas não pense que só porque é de uma raça superior pode falar o que quiser. Eu agora sou tão superior quanto você. – falou enchendo-se de certeza.
- Deplorável – disse o mago calmamente, arrancando um “hã?” do oponente. – Seu modo de pensar é baixo demais para se intitular um ser superior. Não importa o quanto seu corpo mude, no final das contas ainda será apenas humano.
Conduzido pelas provocantes palavras do mago, Adler sorriu e começou a lançar um ataque sobre ele.
- Você será morto por esse humano! – gritou ele no instante em que uma rajada de fogo saiu de sua mão. Observando o fogo mortal voando em sua direção, Melvin apenas ergueu o cajado proferindo uma magia de defesa tendo como base o elemento água.
- Parede freática! Erga-se!
Movimentando o cajado verticalmente para cima, um jorro de água começou a subir proveniente do solo. O líquido veio furando a terra e se erguendo como uma parede na frente do mago. O fogo colidiu com ela originando uma fumaça branca. Adler cessou o ataque com as chamas ao ver que elas eram completamente detidas. A parede fora desfeita. Adiante, o vapor d’água lhe impedia de ver o oponente. Quando a nuvem se dissipou, Adler ficou surpreso ao notar que não havia ninguém à frente. Melvin não estava mais lá. O nobre rapidamente olhou ao redor numa ação desesperada. Seu medo tornou-se realidade ao ver o mago ao seu lado direito com o cajado na direção dele.
- Rajada de água! – Uma rajada muito forte atingiu Adler o fazendo voar alguns metros para trás junto com a água, parando apenas quando seu corpo colidiu com uma árvore. Após a colisão, caiu sentado no chão. Murmurou por causa da dor, não na região acertada pela rajada de água, e sim pelo seu choque com o tronco o qual estava encostado. – Desgraçado! – xingou o mago que lhe encarava seriamente.
- Infelizmente para você, por mais que tenha um poder desses, não será páreo para mim por dois motivos. – discorria o mago, sendo mirado pelos atentos e furiosos olhos de Adler. – Magia do elemento água leva vantagem contra o elemento fogo. E o mais importante, magos sempre levam vantagens contra humanos comuns. Não importa quanto poder você adquira, nunca saberá usá-los e sincronizá-los da maneira correta. Esse privilégio foi dado aos seres da minha espécie. Não é a nossa diferença de poderes que define esta luta, é a nossa diferença como ser. Humano é um humano. Um mago é um mago. O que você pensou que iria ter ao obter esse poder? Que tipo de superioridade você idealizou? – Melvin proferia com a mesma seriedade, mas olhando cada vez mais nos olhos do homem, este que começou a se levantar sem dizer nada. – Apenas desejos ilusórios. É isso o que você busca.
- Ilusórios? – repetiu o nobre. – Acha que a superioridade no mundo dos humanos é apenas uma ilusão? – perguntou Adler, encarando o mago, e querendo dizer seu ponto de vista. – Você que é um mago não faz idéia, pois como você mesmo disse, não é um de nós. Existem dois tipos de pessoas: os tolos; que são aqueles comparados a um peão num jogo de xadrez. São os primeiros a serem sacrificados por um prol maior. Eles servem para serem controlados. E a segunda parte dos humanos, composta por uma minoria, são aqueles que controlam; que estão acima de todos na hierarquia. Reis, Condes, Barões, Generais, Prefeitos e Nobres... Todos aqueles com o poder de controlar uma quantidade significativa de pessoas são os controladores. Eu sou um controlador. Várias vidas dependem de mim e do meu dinheiro. Se eu quiser, posso mandar todos os moradores da terra em que sou proprietário irem embora. Eu tenho esse poder. Poder! Quando alguém recebe algo valioso pela primeira vez, ela se sente de uma maneira como nunca sentiu antes. Formidável! A sensação de ter mais que o outro é prazerosa. Faz você uma pessoa especial. Então imagine uma pessoa com uma valiosidade dessa. – Adler acendeu uma chama em sua palma apenas para exemplificar. – É para isso que vivemos. Para termos mais e mais poder. É o nosso destino!
- É triste... – disse o mago num tom lamentável. – ...É triste ver pessoas pensando dessa maneira egoísta. Elas não deveriam ser assim. São filosofias como essa que fazem a destruição da humanidade. – Melvin já cerrava os dentes e os punhos soltando um pouco sua raiva com aquele assunto. Suas próximas palavras soaram quase como gritos. – Por que vocês pensam assim? Por que não aproveitam a vida de uma forma decente? Por que vocês não entendem?
- Porque... somos seres diferentes. – respondeu Adler, com olhos sérios. – Eu é que não entendo vocês. – disse soltando um suspiro cômico. – Seres como vocês, dotados de tantos poderes valiosos já deveriam ter nos controlado. Realmente não consigo entendê-los. “Guardiões do bem”, “Protetores da paz”. Nunca vou entender porque vocês escolheram “salvar o mundo” quando poderiam dominá-lo.
- Eu... irei fazer – proferiu o mago cada vez mais determinado. – Prometi que iria salvar o mundo. – Por mais que não quisesse ascendê-las, uma de suas lembranças passadas vieram à tona.

Um jovem garoto com uma aparência entre 12 e 15 anos, movimentava suas pernas para frente e para trás enquanto descansava sentado sobre um tronco caído no meio de uma floresta. Ele sorriu para alguém ao seu lado, também sentado ao tronco.
- Irei fazer uma promessa – disse o menino num tom forte.
- É mesmo? O que é? – perguntou a outra pessoa com uma voz adulta.
- Meu objetivo será salvar o mundo – respondeu o garoto, esboçando um sorriso pretensioso.


- Há muito tempo... eu fiz uma promessa, e irei levá-la até o dia de minha morte – disse o mago levantando a cabeça e encarando o homem.
- Huh! E nesse plano de salvar o mundo, você terá que me destruir? – perguntou Adler, zombando do objetivo do homem à frente.
- Não. Apenas detê-lo.
- ENTÃO TENTE! – Adler gritou lançando uma rajada no mago. Dessa vez, Melvin não usou nenhuma magia para se defender. Ele simplesmente correu ao mesmo tempo em que desviava da rajada. Na primeira vez, pulou para esquerda. Adler ainda não sabia controlar bem o seu poder, e não conseguia mudar de forma significativa a direção de sua rajada. Ele teve que interrompê-la, e iniciar uma nova. Melvin encontrava-se a menos de vinte metros do oponente. – QUEIME!!! – gritou o homem soltando mais um ataque que novamente foi desviada pelo mago com um movimento para a direita. Adler soltou mais duas rajadas que foram perfeitamente desviadas. Inesperadamente, ele viu o mago totalmente a sua frente. Ficou imóvel apenas esperando para receber o ataque. Melvin passou ao lado dele, e no mesmo instante movimentou seu cajado para o lado aplicando um forte golpe na nuca do oponente. O homem caiu desmaiado no chão. Melvin o fitou, analisando se estava mesmo inconsciente. Em seguida, pôs-se a olhar na direção da caverna.
- Será que Florisval e a Joana estão bem?
Entretanto, algo quebrou a sua tensão sobre o casal, fazendo-o olhar para o lugar adiante. Os corpos mortos continuavam decorando o solo. Alguns deles eram irreconhecíveis. Ele fechou os olhos e da mesma maneira de antes, mais uma lembrança veio à sua mente.


- Mas sabe... talvez você consiga salvar o mundo, mas... não acho que conseguirá salvar todos que vivem nele – disse a mesma voz adulta.


Melvin tornou a abrir os olhos. Apertou o cajado e abaixou o rosto formando uma feição frustrante e melancólica.


- Não posso salvar todos? – perguntou o menino, recebendo uma cruel resposta em seguida.
- Não importa o quanto se esforce. O mundo é sombrio demais para que consiga.




27 de Junho de 2009

Mundo Sombrio - Capítulo 07 - Chamas da ambição

O gnomo Glin agarrava-se a perna de uma mesa subindo vagarosamente e de maneira esforçada até a parte de cima. Quando suas duas mãos se puseram sobre a parte do plano alto, seus olhos miraram num pote de geléia sobre a mesa, ocasionando um feliz sorriso em seu rosto. Ainda com a mesma face de felicidade, ele subiu ligeiramente para o topo da mesa, e correu até o pote, jogando-se em cima dele e o abraçando-o como se fosse alguém apaixonado.

- Oh, minha geleinha! Passei a manhã toda procurando por você – proferiu ele, girando a tampa em seguida, e apreciando a geléia de amora. Enfiou a mão dentro do pote e a levou a boca, deixando seus olhos girarem ao sentir o delicioso sabor dissolver sobre a língua. – Delícia! – preparou-se para pegar mais um pouco,mas foi interrompido por algo bastante incomum. Seus ouvidos aguçados movimentaram-se. Ele ouvia passos.

- Intrusos? – indagou o gnomo. Mas a desconfiança em seu rosto deu lugar a uma surpresa duvidosa. – Será que são eles? – perguntou-se, correndo rapidamente para a ponta da mesa, e iniciando uma descida através de um de seus pés. Correu levantando um pouco de terra do chão junto com um “tap-tap” produzido de forma muito rápida devido a sua velocidade. Ele se encontrava em um amplo espaço retangular dentro de uma caverna. No final de uma das paredes rochosas, havia um largo corredor à esquerda com estantes, e no final deste, um muro de madeira.

Havia uma escada de alumínio de seis degraus posicionada em frente e no centro do muro. Ele começou a subir tendo que dar um pulo de um degrau para o outro, já que o seu tamanho pequeno o atrapalhava nessa hora. Ele chegou ao último degrau, e espiou pela brecha retangular onde notou os olhos de um homem que observava algo na parte de cima do muro.

- Quem está aí? – Glin perguntou para a pessoa do outro lado, encarando-o com seus olhos azuis e desconfiados. O homem o olhou pela brecha e respondeu.

- Eu vim buscar o tesouro da família Goldin – Glin mostrou surpresa em sua face, mas que não pôde ser notada pelo homem, já que não podia vê-lo claramente. O gnomo se pendurou em uma das hastes da escada, e deslizou com ela até o chão. Exigiu de sua força para empurrar a escada para o lado direito. Em seguida, pôs-se a subir novamente e pulou em cima de uma cordinha em frente ao muro, e depois de um “trinc”, soltou-se, e caiu sobre o degrau da escada. Deslizou novamente para o chão, ao mesmo tempo em que a porta de madeira rangia, revelando o local para Adler e Joana.

Glin caminhou alguns passos para o lado e se pôs na frente deles, que estavam distraídos olhando o lugar adiante até que o gnomo falasse alguma coisa.

- Estava esperando por vocês – Ao escutarem, continuaram olhando para frente, dessa vez procurando alguém. Vendo isso, o gnomo falou novamente. – Ei, aqui embaixo! – Quando os olhares deles se puseram sobre o gnomo, os dois arregalaram os olhos, pois nunca viram um ser daquele tipo. – Olá! – Glin cumprimentou.

- O que é você? – perguntou Adler estranhando aquela criatura.

- Eu sou um gnomo. Meu nome é Glin. Prazer em conhecê-los – disse ele, sorrindo.

Capítulo 07

Chamas da ambição

Escondido e agachado atrás de uma moita, Neal espreitava a caverna em frente. Foi por ali que observou de longe o casal sumir de sua vista. Os outros guardas esperavam algum sinal, também escondidos na mata. Um deles, o que estava mais próximo de Neal, se aproximou deste.

- O que vamos fazer? Eles entraram lá, não é? – perguntou ele para Neal, que encarava a caverna. Sem olhar para o guarda ao lado, ele respondeu.

- Sim. O tesouro provavelmente está lá. Nesse caso, também temos que ir – decidiu o líder dos guardas se levantando e olhando para o companheiro em seguida. Nesse momento, os outros homens também começaram a se aproximar. Neal esperou que todos chegassem perto, e explicou o que iriam fazer. – Joana e Adler entraram naquela caverna, onde provavelmente pode estar o tesouro. Entretanto, há a possibilidade dele ter entrado ali para nos confundir, tomando um atalho para nos despistar e pensarmos que ali é mesmo o local certo. Logo, temos essas duas possibilidades, e para elas temos uma única decisão. Vamos entrar em três. Iremos averiguar o interior da caverna e confirmarmos se lá é ou não o lugar do tesouro. Depois que fizermos isso, um de nós irá voltar, e avisar aos outros três que estiverem aqui fora.

- Por que não entramos todos juntos? – replicou um guarda. Neal desviou seus olhos para a caverna e respondeu a pergunta.

- Pode ser mesmo o lugar do tesouro. Além do mais, tesouros importantes não querem ser encontrados facilmente. Sabe lá o que pode ter lá dentro!?

. . . . . . . . . . .

- Um gnomo? – impressionou-se Adler. O mesmo valia para Joana.

- Venham! – A criatura desconhecida pelo casal começou a se afastar, e a convite deste, eles o seguiram. Mas logo depois de entrarem pela porta, Glin virou-se dando um tapa de leve na testa. – Ah, é! Você poderia fechar a porta pra mim? É que no meu caso, é um pouco complicado. – disse o pequenino para o homem gigante. Adler apenas obedeceu, mas não deixando sua ansiedade morrer enquanto fazia aquele favor. Foi logo abrindo a boca para falar.

- O tesouro dos Goldins está mesmo aqui, não está? – perguntou com aparente curiosidade, despertando a atenção de sua noiva. Apenas ela sabia o real interesse daquela pergunta.

- Sim. Eu sou o guardião deste tesouro – Glin respondeu de modo feliz, como sempre. Eles caminharam pelo corredor de volta ao recinto retangular da caverna. Glin nem percebia que era mirado seriamente pelos olhos do homem.

“Huh, esse é o tal guardião? Que patético!” pensava Adler, enquanto Glin continuava a falar guiando-os até o local adiante.

- Vocês são os primeiros que vejo depois de um bom tempo – continuou ele caminhando pelo recinto. Joana e Adler observaram ao redor. Parecia mesmo uma casa. Havia cama, armários, mesas, e várias lamparinas, que davam muita claridade ao local. O curioso era a desproporção entre o tamanho dos objetos e o tamanho do gnomo. Aquilo seria um lugar para um homem viver, e não para um ser pequeno.

Glin começou novamente a subir na mesma mesa de antes. Depois de um pouco de esforço, ele chegou na parte de cima visando seu pote de geléia.

- Já faz alguns anos desde que o velho Boris apareceu por aqui – Glin falou caminhando até o pote.

- Meu pai já veio aqui? Quando? – perguntou Joana, com um grande interesse estampado em sua face. Mas o gnomo nem deu muita atenção para isso, visto que seus olhos estavam centrados na geléia. Ainda assim, ele respondeu.

- Há seis anos – Logo em seguida, Glin mergulhou o dedo no mantimento, e o pôs na boca, deliciando-se mais uma vez com sua comida preferida. Joana continuava refletindo.

- Seis anos... O que ele veio fazer aqui nessa época?

Glin finalmente tirou seus olhos da geléia, e fitou a mulher. Dessa vez, proferiu de modo normal.

- Bem, ele queria usar o tesouro para proteger sua família de alguma ameaça.

- Proteger? – indagou Joana. Aquela resposta despertou sua curiosidade, mas não tanto quanto a de Adler, que estreitou os olhos.

- Como assim... usar o tesouro para proteger? O que é este tesouro? – ele perguntou com muito interesse.

- Vocês ainda não sabem? Pensei que o velhote lhes contaria – Glin fitou somente a mulher. – Joana, certo? – A jovem assentiu com um “sim”, e o gnomo continuou. – O que seu pai falou sobre o tesouro? Se ele contou é porque deu permissão para vê-lo. Por acaso, ele trouxe alguma comida para mim?

- Bem... – Joana sentiu-se relutante em falar, pois percebeu que Glin não sabia a verdade. Adler sorriu levemente de forma que ninguém notou. Ele então proferiu calmamente.

- O senhor Boris faleceu e... deixou o tesouro sob nossa responsabilidade.

- Faleceu? – O gnomo mostrou-se surpreso com a revelação, e em seguida, ficou cabisbaixo. – Eu já devia esperar. – disse melancolicamente virando de costas para os dois e caminhando vagarosamente pela mesa. – Eu guardei o tesouro de sua família durante três gerações. Em troca disso, eu ganharia comida a cada ano. O senhor Boris sempre me dava muitos potes de geléia de amora... – Glin esgueirou seus olhos até o pote. – Mas agora que ele se foi significa que você é a nova herdeira. – voltou-se para Joana. – Além disso, está casada. Vejo que vieram mesmo receber o tesouro.

- Sim – Adler respondeu secamente. – Onde ele está?

- Primeiro, eu preciso ver a certidão de casamento de vocês e o contrato – exigiu o gnomo, voltando ao seu tom normal.

- Contrato? – desconheceu Joana.

- Aqui está! – exclamou Adler, para a surpresa de sua noiva, que o olhava estendendo um pergaminho.

- Abra-o e me mostre! – Glin pediu. Adler obedeceu e mostrou-lhe. – Parece que é mesmo o contrato. Aquela assinatura no final com certeza é a minha. E quanto à certidão de casamento? – Um pouco impaciente, Adler também a mostrou.

- Podemos ver o tesouro agora? – perguntou o homem refletindo impaciência em suas palavras.

- Calma! Por que a pressa? – perguntou o gnomo caminhando até o pé da mesa.

Após descê-la, ele foi para um canto do recinto onde havia acima de uma mesinha, uma espécie de cofre dentro da parede. Entretanto, era bem distinto dos cofres habituais por algumas peculiaridades no lado da borda de sua abertura. Duas lâmpadas circulares de um centímetro de diâmetro sobrepostas, sendo que uma estava acesa na cor vermelha e a outra apagada na cor verde. Um pouco abaixo havia um orifício circular quase impercebível com alguns milímetros de diâmetro.

Já sobre a mesa, Glin lhe mostrou um papel sobre a mesma. Nele, continha algo escrito numa letra pequena que o casal mal teve tempo de ler, sendo interrompidos pelo pedido do gnomo.

- Assinem aqui! – pediu ele, dando-lhes uma caneta que jazia na lateral da mesa. Era um tipo de objeto que nunca viram antes. – Não se preocupem. Faz o mesmo que uma pena e uma tinta. Apenas escrevam os seus nomes. Não precisam molhá-la, pois a tinja já está inserida no tubo. – explicou vendo a confusão no olhar de ambos.

Joana foi a primeira a assinar seu nome em uma linha daquele documento, ao mesmo tempo em que estranhava o objeto em mãos. O mesmo foi para Adler. Em seguida, Glin pediu para Joana estender sua mão na mesa. Sem saber o motivo ela o fez.

Inesperadamente, o gnomo tirou uma agulha do bolso de seu robe, e furou o dedo indicador da jovem. Ela rapidamente afastou a mão ao sentir a picante dor em seu dedo, o sacudindo na mesma hora.

- Espere, eu preciso coletar o seu sangue – disse o gnomo, erguendo a mão para que ela se acalma-se.

Joana o fitou meio confusa se perguntando o porquê daquilo, mas acabou levando a mão de volta a mesa. O líquido vermelho brotava lentamente do pequeno furo feito pela agulha, a qual foi novamente molhada ao sangue, para que esta ficasse com mais líquido preso a ela. Feito isso, Glin foi em direção ao cofre, e enfiou a agulha no pequeno orifício. Em poucos instantes, a luz verde se acendeu e a vermelha se apagou seguido de um “trinc”. O cofre abriu lentamente revelando o que escondia.

Os olhares do casal bateram sobre uma pequena caixa quadrada de tom vermelho e bordas douradas. O gnomo a pegou com um pouco de esforço e a pôs sobre a mesa.

- Eu vou abri-la para vocês verem o que tem dentro – disse ele já deslocando a segunda metade da caixa para cima. Joana, bem atenta e nervosa fitava o interior da caixa que aos poucos era revelado. Adler estava quase esboçando um sorriso de tanta ansiedade que sentia. “O tesouro dos Goldins está bem na minha frente”. Pensava ele, não vendo a hora de pôr as mãos nele.

. . . . . . . . . . . .

- Tem certeza que é por aqui? – Florisval perguntou com seus olhos sobre uma mata fechada. Suas mãos estavam descansadas sobre os joelhos, e seu corpo inclinado para frente. Com sua respiração ofegante, demonstrava todo o seu cansaço após uma longa corrida a toda velocidade. Entretanto, a situação com o mago parado ao seu lado era outra. Apesar de uma respiração mais acelerada do que o normal, ele não aparentava estar tão cansado quanto o camponês. – Não acho que eles tenham entrado num lugar desses depois de percorrem toda esta estrada. – disse Florisval olhando para Melvin.

- Você não acha que um tesouro estaria escondido no meio da estrada, acha? – perguntou o mago num tom irônico. Sua fisionomia tornou-se séria, ao usar novamente a Captação Maligna. Ainda enxergava Adler como um ponto distante, mas não tanto quanto estava na cidade. – Eu posso ver! Eles estão a leste. Vamos!

- Sim – assentiu Florisval vendo o mago caminhar na frente, abrindo caminho por entre os ramos de árvores que batiam na altura do peito. Por causa da mata um pouco fechada e cheia de árvores, pedras e arbustos, eles não podiam correr no mesmo ritmo de antes, mas caminhavam da forma mais apressada possível.

. . . . . . . . . . .

Andando sobre o solo de terra do escuro túnel onde se encontrava, Neal, acompanhado de mais dois guardas, procuravam por alguma anormalidade que denunciasse o paradeiro do casal que seguiam. Na quase completa escuridão, seus passos eram cautelosos. Suas mãos deslizavam suavemente na parede tentando encontrar algo mais distinto que uma parede rochosa irregular.

- Já andamos bastante e nem sinal deles – comentou um dos guardas.

- Talvez estejam mais ao fundo – insistiu Neal, com seus olhos mirando o fundo da caverna.

- Será que Adler não nos enganou e pegou algum atalho aqui dentro para nos despistar? – perguntou o outro guarda. O primeiro que falou anteriormente, tratou de responder.

- Mas acho que se fosse assim nós teríamos percebido alguma saída nela. Estamos andando e checando as paredes. É pouco provável que deixamos algo passar.

Os olhos de Neal se arregalaram um pouco ao notar uma leve claridade mais adiante, que vinha de uma curva à direita. Os outros dois também perceberam, e aumentaram a velocidade de seus passos para chegar até lá. Assim que os três guardas viraram a curva, se depararam com mais alguns metros da caverna, e uma coluna clara no final.

- É a saída! – exclamou um guarda, já iniciando sua corrida até ela. O outro lhe seguiu.

- Esperem! – Apesar do aviso de Neal, ambos os guardas permaneceram com sua corrida até a luz do dia. Em poucos segundos se encontraram no lado de fora. Eles piscaram várias vezes para acostumarem seus olhos com a claridade, e em seguida, os arregalaram quando notaram mais três pessoas em frente.

- Mas o que... – O guarda não entendia nada, assim como seu parceiro.

- O que está acontecendo? – perguntou o outro, fitando os outros três guardas que ficaram no lado de fora da caverna, que olhavam ansiosos para os companheiros.

- E então? Conseguiram achá-los? – perguntou um destes guardas, sem saber do motivo da surpresa dos que saíram da caverna. Estes olharam para trás, e viram apenas uma entrada para aquele lugar escuro. Neste momento, Neal saia de dentro dele.

- O que está acontecendo, Neal? – perguntou um dos guardas. – Nós entramos e saímos pelo mesmo lugar.

O líder dos guardas se aproximou dos outros, e em seguida fitou a caverna atrás dele.

- Não é uma caverna comum. Tenho quase certeza que o tesouro dos Goldins está aí dentro. Mas por algum motivo, talvez pela própria segurança do tesouro, um certo tipo de magia nos impediu de encontrá-lo. Desse jeito, também não conseguiremos achar a Joana.

- O que vamos fazer? – perguntou um dos guardas. Neal cerrou os punhos sentindo-se impotente naquela situação. Era claro seu olhar de raiva sobre a caverna.

- Nada. Apenas esperar – disse demonstrando toda a sua frustração.

- Mas a Joana não conseguirá encarar aquele homem – retrucou o outro. Neal abaixou a cabeça, provavelmente sabendo que ele tinha razão. Mas nada para mudar aquilo podia ser feito.

- Vamos confiar na Joana – ergueu a cabeça e fitou o lugar de onde acabara de sair. – Ela sairá daquela caverna com o tesouro.

. . . . . . . . . . . .

Os olhares de Joana e Adler pairavam sobre uma esfera avermelhada e reluzente, com uma letra e um número marcado em tinta branca no centro de cima dela, da posição de onde o casal a via.

- Essa é uma Esfera Volaki... – apresentou o gnomo. -... Série K04. “A pessoa que tocar uma esfera Volaki receberá o poder nela contida”. É a principal fonte de energia dos magos, mas que inicialmente encontra-se condensada dentro de uma esfera como essa. A numeração quatro indica que há o poder do elemento fogo inserida nela. Então, o tesouro consiste apenas em dar poder a pessoa herdeira, isso claro se ela quiser. – Enquanto Glin explicava sobre aquela esfera, Joana ouvia tudo atentamente e ao mesmo tempo surpresa. Nunca imaginaria que o tesouro seria algo que lhe desse poderes. Já Adler, surpreso, porém com uma felicidade transbordando em seu interior. Sua mão tremia pela ansiedade de tocar naquele item. O gnomo continuou, dessa vez dirigindo seu olhar somente a Joana. – Agora é a hora da escolha. Você decidirá entre deixar o tesouro aqui para a próxima geração ou usá-lo para você mesma. Mas devo alertar que ao tocar a Esfera Volaki, o poder que ela lhe dará será permanente. Além disso, tal poder tem um espírito aprisionado dentro dele, que dependendo do tipo de pessoa que ela pegar, esta pode ter desde uma vida tranquila controlando perfeitamente o seu poder como encontrando até a morte. Há também outros efeitos que variam bastante que nem eu mesmo sei como explicar por não ter um conhecimento tão detalhado sobre isso, mas o que quero dizer é que a utilização deste poder é um risco, e só deve ser usado se realmente for preciso. Joana, você quer este tesouro?

A jovem olhou para esfera, certa de que de modo algum tocaria nela. Entretanto, ela esgueirou-se até o noivo e notou sua mão direita tremendo. Esta lentamente começou a se erguer, e a jovem rapidamente previu que ela tocaria o objeto.

- Não! – gritou Joana, não querendo que aquilo acontecesse. Numa rápida investida, ela tentou empurrar o noivo, mas ele ergueu rapidamente sua mão direita já com o punho fechado e fazendo-o se chocar contra o rosto de Joana, acertando-a na parte esquerda. Com o choque, ela caiu para o lado. Adler a fitou com um sorriso, vendo seu rosto machucado. Ela o encarou e gritou para o gnomo.

- Glin, feche a caixa! Não o deixe pegar a esfera! – Vendo o apelo de Joana, o gnomo rapidamente olhou para Adler, e o viu dando um malicioso sorriso. Sem ter tempo de notar, e muito menos se defender, Glin levou uma soco com a parte de fora da mão do homem. Devido ao tamanho de seu corpo, ele foi totalmente atingido, como se Adler o tivesse tirado do caminho o comparando a um objeto qualquer. O corpo do gnomo arrastou-se pela mesa, e quase caiu se Glin não tivesse segurado a borda do móvel. Seu corpo ficou pendurado e ele fez força para voltar ao plano.

Adler sorriu mais ainda ao fitar a esfera. Com sua mão vibrando, ele a movimentou até o seu destino.

- Não, Adler! – gritou Joana inutilmente. Era tarde demais.

Em poucos instantes, ela viu o tesouro de seu pai se perder completamente no momento em que a superfície de vidro da esfera tocou a mão ambiciosa de seu noivo. Ele a puxou de dentro da caixa, ao mesmo tempo em que uma listra luminosa avermelhada passou por todo o diâmetro da esfera. Já com ela em mãos, Adler a viu brilhar num tom vermelho, cor que também preenchia a visão de Joana e Glin. A mesma luz que fazia a esfera brilhar começou a correr pelo braço de Adler, envolvendo-o num aspecto cintilante. O homem passou a gritar como se estivesse sentindo dor. Ele ergueu sua cabeça para o alto, enquanto a calorosa luz alcançava o seu peito e se dividia para a cabeça, o outro braço, e para baixo até os pés. Primeiro foi o braço esquerdo, depois a cabeça, e por último as pernas. A luz cintilou intensamente pelo recinto do gnomo, que junto com Joana, fechava os olhos devido ao tamanho brilho vindo de Adler.

Foi então que a luz cessou junto ao grito de Adler. Ele abaixou o seu rosto para a posição normal com seus olhos fechados, sendo visado pelos olhares impressionados de Joana e Glin. Quem o visse não notaria nenhuma diferença entre o Adler anterior e este novo. Somente o próprio sentia isso, e de uma maneira muito prazerosa.

A esfera em sua mão se quebrou em inúmeras partículas de vidro avermelhado. Adler abriu os seus olhos em meio às partículas que voavam em frente ao seu rosto, e que logo desapareçam sem mais nem menos. Ele apertou a mão direita, sentindo algo de diferente em seu corpo.

- Poder! – exclamou ele olhando para a sua mão num momento de êxtase. – Muito poder! – Em seguida soltou uma gargalhada imensamente prazerosa. Joana e Glin fitavam-no não acreditando que aquilo era verdade. Adler abriu as duas mãos e num “Hah” de sua boca, duas chamas apareceram sobre as palmas destas deixando-o deslumbrado. – Incrível! Incrível! – exclamava em meio as suas risadas. – Nenhum tesouro poderia ser melhor. – Ele fitou uma pilha de papéis numa mesinha ao lado, e ergueu sua mão esquerda em direção a ela. Enquanto a chama da mão direita se apagava, a da esquerda se alongava num jato de fogo em direção aos papéis.

Os documentos começaram a queimar para a alegria daquele que ateou fogo. Em meio as suas risadas, Joana lhe fitava com desprezo, ao mesmo tempo em que uma onda de tristeza e “missão falha” tomava conta de sua alma. As chamas dos papéis pareciam ser as mesmas que queimaram a sua casa levando seu pai de sua vida. Agora, as mesmas labaredas também diziam que ela perdera seu pai novamente. Lágrimas estavam prestes a transbordar de seus olhos marejados. Sua tristeza crescia ao ver as chamas e risadas de Adler tomando intensidade.

. . . . . . . . . .

Melvin e Florisval caminhavam apressadamente pela floresta. Entretanto, o mago parou de andar, e fixou o olhar bem mais a frente. Com sua Captação de Energia Maligna, ele enxergou dois pontos já bem próximos. Mas o que estranhou, era que dessa vez ele havia usado uma Captação Total, reunindo todos os sentimentos ruins que poderia sentir. E dentro dessa Captação, duas emanações malignas que ele podia distinguir bem.

- Ambição excessiva e ... tristeza – murmurou o mago.

- O que foi? – perguntou o camponês querendo saber o motivo do outro ter parado, e também de sua fala.

- É melhor nos apressarmos – respondeu o mago fitando Florisval preocupadamente. – Temo que algo ruim tenha ou esteja para acontecer.

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A risada gananciosa de Adler ecoava por todo o recinto cavernoso. Poder era a única palavra que passava em sua mente. Sentia-se como um Deus, um ser superior e soberano a todos os outros. Sua gargalhada explanava tal excitação por aquilo.

Joana levantou-se lentamente correndo seus olhos pelo seu noivo, que aliás, mal merecia aquele nome. Palavras como bandido, ganancioso e assassino eram o que mais combinavam com ele. Ela sentia ódio daquele homem, entretanto, o pavor veio mais forte. Isso se intensificou ainda mais quando os olhos de Adler lhe encontraram. Ele parou sua gargalhada e com um sorriso cínico no rosto, encarou a mulher.

- Está vendo Joana? Está vendo? – disse ele entusiasmado, abrindo seus braços. – Esse é o tesouro de seu pai! Um lindo tesouro! Um lindo poder! Imagine as coisas que poderei fazer com ele. Eu... Eu... posso ter tudo!

- Você está enganado – pronunciou o gnomo, que assim como Joana, encarava Adler. Apesar disso, seu rosto também aparentava um pouco de temor. – Esse poder não é para ser usado de forma insensata. O que você quer fazer é conseguir as coisas valendo-se desse seu poder. Esse Elemental que se apoderou de seu corpo não é nada mais do que uma ilusão que faz com que a pessoa se sinta soberana.

- Do que você está falando? Esse poder é real – Adler disse ainda sem desmanchar o sorriso.

- O poder é real, mas não a sensação dominadora que ele traz a mente. Você não conseguirá ir longe se pensar dessa forma.

- Olhe bem! – exclamou o homem abrindo a palma da mão, deixando um chama cintilante à mostra. – Eu não sou mais um humano comum. Nada poderá me impedir... – Adler ergueu sua mão em direção ao gnomo ainda sobre a mesa. - ...nem mesmo um rato como você. – Logo em seguida, um jato de fogo foi jorrado contra o pequeno ser, que arregalou os olhos vendo as chamas alaranjadas preencherem os seus olhos.

- Glin! – Joana gritou vendo as chamas o atingirem. Mas para a surpresa dela e de Adler, o jato de fogo passou direto pelo local onde estaria o corpo do gnomo. As chamas colidiram contra a parede e cessaram deixando uma marca escura nela.

- O que? – Adler estranhou o corpo ter desaparecido. Joana também estava confusa.

- Joana, vamos fugir daqui! – disse uma voz ao lado de quem foi chamada. Era Glin agarrando o vestido de Joana para ela fugir.

- Então você está aí! – Adler disse fitando o gnomo. – Isso é perfeito! Vou queimar os dois de uma só vez.

- Adler, não faça isso! – pediu Joana, apavorada.

- Você já não me tem mais utilidade, Joana. – O homem com as chamas nas mãos as ergueu em direção as duas pessoas apavoradas. – Morram!

Inesperadamente, as chamas jorradas por Adler colidiram com uma parede rochosa do mesmo tipo da caverna. Surpreso com aquela visão, ele cessou o ataque e analisou o comprimento dela, notando que ela se estendia por todo o lugar, como se fechasse o outro lado do recinto.

- Mas o que... – Joana e o gnomo haviam sumido para a frustração do homem que queria matá-los. – Tsic! Será algum tipo de magia daquele pequeno? – indagou. – Maldição! Tenho que acabar com eles ou me causarão problemas futuros. – Adler tocou a parede e deu algumas batidas com a mão. – Parece que é mesmo uma parede como qualquer outra. Não acho que consigo quebrá-las. Aquele gnomo maldito!

Adler virou-se visando o resto do recinto atrás dele, onde estavam os móveis e outros objetos de Glin. Ao ver aquilo, o homem esboçou um sorriso com algum intuito maléfico em mente.

Alguns minutos depois, Adler saiu pela porta do muro de madeira no corredor da caverna. Atrás dele, erguiam-se as cinzas de alguns objetos sendo queimados. O incêndio atrás dele tomava grandes proporções enquanto seus passos se afastavam daquele lugar. O que foi a casa de um gnomo, ou pelo menos parte dela, era consumida pelas chamas maléficas de Adler. Com um sorriso satisfeito, esse homem caminhava rumo à saída, preparado para a sua próxima investida contra aqueles que lhe causariam problemas.

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A audição aguçada de Neal o fez olhar para a entrada da caverna. Da escuridão à frente, alguém se aproximava.

- Vem vindo alguém! – avisou ele aos seus companheiros. Todos prestativos com o que poderia aparecer diante deles. O nome Joana era uma possibilidade para todos, mas o que viram era tudo o que não queriam.

– Adler? – disse Neal, surpreso por ver aquele homem. Mas seu tom mostrou firmeza em sua próxima pergunta – Onde está a Joana?

Adler cessou os passos na entrada da caverna, com seu corpo já sob a luz do dia.

- Quem sabe? – respondeu com um cínico sorriso.

- Maldito! O que fez com ela? – O tom de Neal demonstrava raiva. Com uma expressão oposta, Adler lhe encarava com o mesmo sorriso de sempre.

- Eu já disse. Eu não sei – Adler observou a expressão de ódio inserida nas faces daqueles homens, com exceção de um. – Se estão preocupados se eu a matei podem se acalmar. Infelizmente eu não consegui realizar algo tão fácil. Ela deve estar em algum lugar da caverna. Mas não percam seu tempo. Vocês não vão viver para vê-la de novo.

- Acha que pode nos vencer? – desafiou um dos guardas. – Nós somos seis e você apenas um. Não há como você escapar, seu maldito!

Neal retirou uma adaga da bainha presa a sua cintura. Os outros guardas repetiram o mesmo movimento que o seu líder. Todos preparados para atacar Adler Collens, que apenas suspirou e fechou os olhos. Em seguida tornou a abri-los novamente, encarando os seis oponentes à frente.

- Agora que possuo o tesouro dos Goldins, vocês não poderão me impedir – proferiu ele calmamente. Delineou um maléfico sorriso, quando em seguida, uma aura avermelhada em chamas começou a circundar o seu corpo. Os seis olharam surpresos para aquele estranho poder.

- O que... o que é isso? – perguntou Neal, pasmo com o que via. Adler soltou uma gargalhada ao sentir o poder transbordando dentro dele. Cerrou os punhos, e com um sorriso de mostrar os dentes, visou as suas vítimas.

- Vamos! – exclamou lançando uma rajada de fogo.


23 de Junho de 2009

Mundo Sombrio - A história desta história

A HISTÓRIA DESTA HISTÓRIA

Tentarei contar resumidamente e apenas o que me lembro claramente de quando comecei essa história. Com certeza vocês não reconhecerão nenhuma semelhança que vier a contar de início, mas conforme forem lendo mais adiante perceberão o enorme caminho que tive de percorrer para chegar na atual história.

Tudo começou na semana de carnaval do ano de 2004. Naquela época era comum minha família, ou pelo menos parte dela, passar o carnaval em Cabo Frio / Arraial do Cabo. Eu era o que menos simpatizava com praia por algum motivo. Naquela semana estava mais empolgado com meu Playstation 1, após tê-lo comprado com defeito em 2003, demorou uns quatro meses pra vir um novo. Mas já com o console bom, fiquei jogando um simples jogo do “Toy Story 2”, sem memory card. Bom, só estou contando sobre o play1 porque era o que fazia quando não estava escrevendo.

Não me lembro qual foi o impulso inicial, mas só sei que naquela semana comecei a escrever uma história. Mas tenho certeza que a base pra ela foi Inuyasha. Tirei um negócio de ter dois mundos: Mundo real, e um mundo fictício qualquer. Algo bem simples de se pensar, mas foi vendo animes e pegando uma idéia de cada que comecei a montar a história. Do Inuyasha, tirei acho que o mesmo mundo com Yokais, e um sistema basicamente feudal, bem, não lembro direito. Mas a trilha sonora do anime ficava gravado quando eu começava a escrever, que, aliás, é bem parecida com a do D.Gray-man. É o mesmo compositor. XD

Começando a contar sobre a história, 100% nada haver com o “Mundo Sombrio” atual. Um garoto adolescente acordava no centro da cidade, sem memória e após caminhar alguns minutos perdidamente, observa seu reflexo numa vitrine. Sem lembrar de onde é, ele sente uma forte dor na cabeça e desmaia. Quando acorda, está num orfanato onde passa a ser seu lar, graças a uma senhora que esqueci o nome, e um tipo de seguidor, que ficava sempre atrás dela. Esse seguidor na parte física, seria tipo o “Snape” do Harry Potter. Até que um dia o garoto ouve uma conversa entre esses dois sobre uma balança de energia envolvendo dois mundos. Falavam sobre algum tipo de anomalia nas últimas semanas. Um outro dia, o garoto houve uma voz e no quintal do orfanato acaba abrindo um portal para um outro mundo. Nesse mundo, ele seria tipo o filho de algum senhor das sombras que inexplicavelmente foi jogado no mundo real. Ah, o nome desse garoto era Kai. Influência de Beyblade que passava na Tv XD. Lá, ele passou por cavaleiros, rei exilado, lobos diferenciados, gangues, sacerdotes e muitos outros. Lembro também dos 4 protagonistas, incluindo ele. Mas acho que apenas falando isso, deu pra perceber que nada tem haver com a história de hoje, né? E o nome era diferente: “Dark World”.

Lembro que cheguei no segundo arco da história e parei por que simplesmente parei. Só eu leio, ninguém mais lê, porque escrever? Desmotivação era um problema pra quem só escrevia histórias num caderno. Devo mencionar que eu não tinha internet, e muito menos computador em casa.

Um ano se passou, e um parente comprou um computador, e eu como não sou burro, também fui lá usar, já que quase diariamente eu ia lá. Aliás, esse é o meu panorama até hoje. Por isso, o uso de computador é limitado: ou é na escola, LanHouse, casa de parente. Mas voltando... agora em 2005, já com internet, achei um programa chamado “RPG maker 2003”. Bom, minha idéia sobre aquilo era...”Caraaaaca! Que maneiro! Posso montar meu próprio jogo com isso! Um jeito perfeito de mostrar uma história” Aí, eu me recordei daquela história chamada “Dark World” no carnaval do ano anterior. Então comecei... Mas me deparei com tantos personagens, e tantas funções, que mexe dali e mexe daqui; não, vamos fazer assim e assim. Passou-se o tempo e mudei totalmente a história. Nada de dois mundos, e sim, um universo de fantasia. Agora tinha um mago! Mas cabelo e barba branca. Essa foi a segunda versão da história, a qual novamente fui tentar escrever, e parei depois de 80 páginas de caderno. Se quiserem eu posso mostrar o primeiro capítulo desta versão, pois ainda tenho num CD( se eu achar). É só pedirem que eu posto como mais um extra aqui.

Passou-se mais um ano. Início de 2006, Início de ensino médio, e reinício de minha vida no “RPG maker” com a nova versão “RPG maker xp”. Hahaha, eu todo bobo com uma nova versão, novamente fui na empolgação de fazer um jogo, já que o anterior na versão antiga eu tinha desistido. Mas eu como... “Vou fazer e MOSTRAR esse jogo pra todo mundo. Esse programa é show!”

Um ano e meio depois...

“Droga de mapas e scripts! Passou quase dois anos, e ainda to fazendo essa ****! Ainda falta 99% da história pra fazer. Ah, quer saber? Que se dane! Vou voltar a escrever.

Enter Fics World

Who! Podia escrever e mandar minha história no melhor formato pras pessoas avaliarem. Um livro/fic. “Por que não fiz isso antes?”

Certo que no começo minha escrita era uma droga. Se pegar a versão antiga do Mundo Sombrio vão perceber uma grande diferença. Mas claro que ainda tô longe de ser um bom escritor.

2008

Mas seguindo a ordem cronológica da história desta história, comecei a chamada primeira temporada do Mundo Sombrio, e quanto mais eu fui escrevendo mais eu modificava a idéia inicial do jogo. O resultado final foi uma boa história, com apenas algumas semelhanças ao jogo, pelo menos no início.

Depois de 50 capítulos feitos, finalmente havia terminado a primeira temporada e já estava me dirigindo para a segunda. Devo mencionar que o número de leitores da versão antiga foi acho que no máximo 5 que leram ela toda. Bom, melhor do que nenhum. XD

Fim de 2008

Comecei a escrever a segunda temporada e depois de quase 10 capítulos entre rascunhos no papel e digitados no Word, vi que estava errando o roteiro. Então preferi deixar essa temporada como a terceira. E modificando umas pequenas coisas, resolvi escrever o arco que mostra o núcleo principal da história: Nerus, a cidade dos magos.

Pra falar a verdade, acho que foi o melhor arco que escrevi desde que se teve início a série, mesmo ele ficando incompleto. Escrevi até o capítulo 77( na versão antiga eu chamava de episódio, uma influência dos animes). Como a primeira temporada acaba no 50, foram apenas 27 capítulos escritos, que estão parados aqui numa pasta do meu computador. A segunda temporada foi cancelada já no 54. Uma pena ver minha parte preferida sendo deixada de lado, mas por um bom motivo. Preocupado com a qualidade da escrita e com alguns furos na trama, resolvi começar tudo do zero.

Meados de Março de 2009

Pensei, pensei e pensei, e resolvi mudar o início da história que até então não havia gostado. Comecei a trama da segunda versão antes da primeira, aproveitando os arcos que ficariam como extra na versão antiga, e um arco futuro que se transformaria no principal do Volume 01. Não falarei mais nada por aqui, se não vou soltar vários spoilers, hehe. Mas esperem muitas surpresas até o fim deste volume.

O futuro do Mundo Sombrio

Como é de se esperar, depois de 5 anos com uma história na cabeça, ela tomou proporções gigantescas. Pra vocês terem uma idéia já tenho até o oitavo volume em mente. Só um plot mental, com uns 30% de incerteza. Mas vai saber se até lá as coisas não mudam como mudaram nesses cinco anos.

Entretanto, devo dizer que os vários acontecimentos futuros da fic, fazendo os cálculos, devem dar em torno de 30 volumes. Mas como minha cabeça viaja legal, é possível que exista uma segunda fase com número de volumes ainda indeterminado. Hehe. Porém, ainda existe mais uma fase que conta a história do Melvin, ou seja, se passa antes do início da fase principal. Essa fase “life Melvin” deve ficar com uns 10 ou 15 volumes. Lembrando que provavelmente deverá englobar outros núcleos da história além do próprio Melvin. Contudo, ainda tem uma pequena fase sobre o pai do Melvin no passado, ou seja, antes do nascimento do protagonista, tendo em torno de 5 volumes. Já deram pra perceber que dá pra rolar capítulos negativos que nem Bleach, não? XD Bom, isso tudo sem contar os Extras que contarão alguma história paralela, claro. Quem sabe não pintam mais volumes na minha cabeça, no entanto, minha imaginação parou por aí, por hora...

Só espero que tenha vida suficiente pra terminar tudo. XD

12 de Junho de 2009

Mundo Sombrio - Capítulo 06 - Partida sob o amanhecer

Capítulo 06

Partida sob o amanhecer

A cidade de Govenrrar era coberta pelo céu noturno. Muitas pessoas já se encontravam na cama com as luzes de suas casas apagadas. Eram poucos os pontos luminosos que podiam ser vistos. Apenas murmúrios de algumas pessoas caminhando pelas ruas da cidade compunham o som dela.

Os seis guardas estavam reunidos em frente à “Meredith”, conversando sobre a ação de cada um no dia e sobre o que fariam no dia seguinte. Neal, como era o líder daquele grupo, tomava à palavra a maior parte do tempo. Durval era o que menos abria a boca para falar.

- Resumindo os passos de Adler no dia de hoje. Ele foi para um bar, onde lá conversou com um homem que acredito que seja o mago que encontrei no fim da tarde. Em seguida, voltou para a hospedaria e nada mais fez. Eles sairão amanhã de manhã. Temos que estar em alerta caso ele nos passe a perna e vá embora com a Joana escondida.

- O que os seis guardas fazem aqui uma hora dessas? – perguntou alguém causando surpresa em todos os integrantes do grupo. A voz de Adler cortou abruptamente a fala de Neal, que ficou quieto ao perceber o homem saindo do prédio.

- Apenas uma reunião de grupo... para sua segurança e de Joana. – respondeu Neal, olhando-o se aproximando.

- É mesmo? Fico feliz que executam o trabalho de vocês de forma tão aplicada. – Adler disse num tom de ironia enquanto passava pelos guardas.

- Onde o senhor vai? Está tarde.

- Algum problema em querer andar durante a noite? – perguntou o homem sem parar sua caminhada.

- Não, senhor. – respondeu Neal lhe encarando.

Após Adler ter se afastado bastante do grupo, sendo visto apenas mais ao longe na rua, os guardas se entreolharam perguntando-se quem iria segui-lo.

- Eu irei! – exclamou Durval, o mais jovem entre eles. Neal o fitou, assentindo com a decisão.

Após alguns minutos seguindo o nobre de forma cautelosa pelas ruas de Govenrrar, Durval chegou próximo a um estreito corredor por onde Adler havia entrado. Sabendo que deveria segui-lo onde quer que fosse, encaminhou-se para lá. Entretanto, foi surpreendido quando um braço lhe puxou inesperadamente pela gola de sua camisa. Durval era fitado pelo sério olhar de quem seguia.

- Então veio você dessa vez – Adler soltou o guarda pela camisa e deu alguns passos para trás de costas para o jovem. – Mas foi bom você ter vindo. – Adler virou-se e tirou um envelope pardo de dentro da camisa cinzenta e jogou-o para o guarda. Ele o pegou e abriu, confuso e curioso com o que poderia haver ali dentro. Suas mãos encontraram um bolo de cédulas amarradas por um elástico. Ele arregalou os olhos com a quantidade de dinheiro em mãos. Adler esboçou um sorriso ao ver a face impressionada do jovem. – Diga-me todos os detalhes daquela conversa de agora a pouco! – O garoto tentou gaguejar alguma palavra, mas Adler voltou a falar antes do outro tentar. – Você é jovem. Isso é uma chance de começar a vida de uma ótima maneira. Imagine se sobreviver amanhã? Ter um dinheiro assim em mãos não é muito tentador? – perguntou querendo seduzir Durval.

. . . . . . . . . .

Florisval abriu a porta de casa. Estava tão distraído que tomou um susto ao notá-lo em frente a pia, onde estava uma caneca de onde subia o vapor quente de alguma bebida. O floricultor se esquecera totalmente do que havia feito a ele, e por isso sentiu-se nervoso, pensando em como o mago reagiria depois de ter sido enganado. Entretanto, o rosto daquele homem era totalmente impróprio para o que Florisval pensava. Melvin estava sorrindo.

- Olá, Florisval! – disse ele, calmamente. – Vejo que voltou vivo e inteiro. Só espero que não tenha feito nenhuma besteira.

- Melvin... – Florisval nem quis falar sobre o que houve. Antes disso queria se desculpar pelo o seu ato. – Eu... sinto muito pelo que fiz mais cedo. Eu...

- Esqueça isso! – proferiu o mago o interrompendo. Logo em seguida, ele pegou a caneca sobre a pia e a deu para o camponês. – Beba! Deve estar frio lá fora. Esse chá lhe esquentará um pouco. – Florisval olhou para o líquido na caneca, enquanto deste, saia vapor. Apenas olhou, e não fez mais nada. Melvin notou que ele hesitava em beber, e tentou lhe estimular. – Não coloquei nada dentro dele. É apenas um chá. – Florisval fitou o mago confiando em suas palavras, e pondo a caneca em frente à boca. Enquanto ele bebia, Melvin caminhou em volta da mesa, e o olhou. – Espero que tenha valido a pena ir lá.

O camponês parou imediatamente a bebida, e fitou o mago que esperava alguma resposta, de preferência um “sim”.

- Eu tinha um plano desde o início – começou a falar o floricultor. – Eu fui entregar algo a Joana. Algo que me possibilitará encontrá-la onde quer que esteja. Uma “Rosa do Ligamento”.

- Deixe-me adivinhar, mais uma flor mágica?

- Sim – respondeu Florisval ao mesmo tempo em que tirava a flor de dentro do colete. – Esta é a “Rosa do Ligamento”. Quando duas rosas dessas estão juntas, elas se tornam azuis, mas quanto maior o afastamento entre elas, mais claras elas ficam. No momento, essa é a cor que representa a distância entre mim e Joana. – A flor mostrava-se em uma coloração azul bem clara.

- Entendo. Então foi por isso que me drogou. Não foi por sair escondido para ir vê-la. – disse o mago descobrindo o real motivo para o floricultor tê-lo feito adormecer. – Foi para pegar a “Rosa do Ligamento”. Você não queria que eu lhe visse apanhando-a, não é? Eu teria que estar dormindo para que pudesse pegá-la, assim como na noite em que curou os seus ferimentos. Deve ser uma passagem muito silenciosa para esse tal lugar, pois eu poderia ter ouvido algo incomum na noite passada. Foi mesmo bem inteligente de sua parte. – Melvin caminhou pelo outro lado da mesa, e se aproximou da porta. – É uma pena que eu não tenha descoberto seu segredo.

- Ei! Aonde você vai? – Florisval perguntou ao ouvir a maçaneta da porta sendo girada. Melvin olhou para o lado de fora, descobrindo uma visão escura e solitária.

- Preciso pensar um pouco. Tem algo... que me incomoda. – respondeu o mago antes de sair da casa. Florisval ficou quieto imaginando o que poderia ser. Provavelmente, seria a decisão dele de ajudar Joana, ou talvez algo relacionado a algum segredo do mago. De qualquer jeito se contentou em esperá-lo.

Melvin caminhou pelo campo de flores, sentindo a suave e fria brisa da noite tocar em seu corpo. Era natural o vento gélido naquela região próxima às montanhas. Ele parou de andar, e tentou refletir. Seu rosto denotava uma aparente preocupação. Em seus olhos, as flores do campo de Florisval lhe faziam recordar a cena de poucos minutos.

“- Parece que algumas pessoas estão lhe pedindo ajuda pelo fato de ser um mago, estou certo? – Melvin não ficou surpreso, afinal, ele era um Oráculo. – A solução é simples: não faça nada. Vá embora o quanto antes, e deixe esse assunto de lado.”

- Não ajudar... Mas... – murmurava o mago, ponderando.

- Ei! O que vai acontecer com Florisval e Joana se eu não fizer o que você disse? Mencionou não ajudá-los, mas o que vai acontecer com eles se o fizer?

O Oráculo parou e encarou o mago virando seu rosto por cima do ombro. Ficou assim por um tempo, sem dizer uma única palavra. Em seguida, voltou a andar. Seu corpo foi desaparecendo lentamente.”

- Se eu fizer isso... se eu não ajudá-los, significa que eles irão... – Melvin não queria nem mesmo terminar a frase de tanta agonia. Se não fosse por esse detalhe, ele não fraquejaria em obedecer ao conselho do Oráculo. Entretanto, o motivo pelo qual ele foi avisado lhe perturbava.

“- O que vai acontecer se eu não fizer isso?

- Você será descoberto.

- Por quem?

- Não use sua energia Volaki em grande quantidade – aconselhou o Oráculo lançando-lhe um sério olhar. – Eles estão perto.

- Quem está me procurando? – Melvin perguntou impacientemente.

- É melhor nem saber. – respondeu ele virando-se e se afastando.”

Várias possibilidades passaram pela mente do mago, muitas pessoas poderiam estar atrás dele por motivos diferentes. Entretanto, ser encontrado não era o que queria. Pois isso significava reencontrar o passado sem antes mesmo completar o seu objetivo envolvendo a profecia que ele tanto acredita.

- Não usar minha energia Volaki... eu talvez nem precise dela para ajudá-los. – disse com um olhar determinado, certo de que estava encontrando sua decisão. Ele fitou as outras flores no campo, e lembrou-se de quando as viu pela primeira vez.

“O homem possuía um cajado vermelho com uma esfera dourada em sua ponta. Ele ergueu- o para o alto e proferiu em voz alta:

- Luz do cajado!

Inúmeros feixes de luz provenientes da ponta de seu cajado que brilhava, atingiram o vasto campo florido. A luz no meio da noite era intensa e agora se podia ver o campo de forma mais bela. As borboletas pousavam e saiam das flores carregando o seu pólen. A beleza individual de cada espécie resplandecia na noite.

O viajante deu um sorriso ao ver aquela pequena área ser iluminada pelo brilho de seu cajado. O fato da luz se tornar presente sempre o fazia feliz. Ele desejava que o mesmo acontecesse com o mundo. Que cada pessoa tivesse sua própria beleza assim como as flores do campo, mas que ficassem unidas, mesmo sendo diferentes umas das outras. E que a luz reinasse sobre elas. Se isso era possível com essas flores, porque não com as pessoas?”

- Por mais que fossem diferentes... – A imagem de Joana e Florisval lhe veio à mente. - ... mas que ficassem unidas. – Melvin decidiu que o seu objetivo era unir essas duas pessoas. – Não vou poder usar a minha energia Volaki, e nem mesmo a Purificação da Alma, já que não faz muito tempo desde que a usei pela última vez. Logo, só tenho ataques físicos como opção. Ainda assim... – Melvin ergueu sua mão na altura do peito e a olhou, fechando-a em seguida. – Eu conseguirei. O meu objetivo é salvar este mundo. – O momento de quando Joana e Florisval se encontraram pela primeira vez na floricultura apareceu em sua cabeça. A imagem de ambos sorrindo, e a Energia Benigna que sentiu do toque de mãos entre eles, era o exemplo de um mundo onde o amor poderia prevalecer. – Não deixarei que nada impeça a felicidade das pessoas.

Foi quando um vento forte que soprou para o oeste fez o mago mover a cabeça para o mesmo lado, enxergando algo peculiar adiante. Soltando um som de estranhamento, ele iniciou seus passos em direção àquilo. Quando chegou próximo, analisou o monte de terra com uma cruz de madeira envolta por um cordão de flores.

- Um túmulo... – murmurou o mago. – Será que é... – Uma única possibilidade passou-se pela cabeça do mago. O homem que criou o lugar onde ele pisava. – Bartolomeu... – Melvin ajoelhou-se e fitou determinadamente a cruz. – Não se preocupe. Eu farei com que Florisval encontre sua felicidade. Ele não se sentirá mais sozinho. Esse campo será palco de uma vida feliz. –disse o mago.

Minutos depois, Florisval notou a porta de casa sendo aberta pelo seu recente amigo. Antes que perguntasse algo, o mago falou.

- É melhor dormir cedo. Se quisermos segui-la, teremos que acordar antes do nascer do sol. – A fala de Melvin causou um sorriso no camponês, e viu que finalmente teria a ajuda dele. O mago não disse mais nada, e foi para o quarto de Bartolomeu. Florisval também decidiu ir para o seu. Teriam de descansar para o que enfrentariam no dia seguinte.

. . . . . . . . . . .

Joana dormia profundamente em sua cama numa posição de lado, com seu rosto virado para a janela do quarto. Adler dormia com uma cara não muito amigável, também posicionado de lado e com sua face virada para o sentido contrário de Joana. Ele parecia estar dormindo normalmente, enquanto sua noiva esboçava um sorriso inconsciente. Em sua mente, em outro lugar estava.

Ela se encontrava em um espaço totalmente branco por onde quer que olhasse. Apenas o campo de Florisval sob os seus pés denotava diferença naquele vasto lugar. As flores coloriam o que o céu e o horizonte claro não faziam. Seus olhos observaram o floricultor com uma alegre expressão em seu rosto se aproximando a poucos metros de distância. Quando ficaram a menos de um metro um do outro, Florisval ergueu sua mão como quem quisesse dizer “Venha comigo!”. Joana desabrochou um sorriso esplêndido, e os dois se olharam carinhosamente. Ela levantou sua mão e a tocou. Em seguida, ambos colocaram as mãos levantadas, e entrelaçaram seus dedos num sinal de amor. Os dois lançaram-se em olhares apaixonados perdendo a conta do tempo em que ficaram naquela posição.

. . . . . . . . . .

O rosto de Florisval emanava um feliz sorriso enquanto dormia profundamente em sua cama.

. . . . . . . . . .

Mais um lugar com flores, mas dessa vez não era o campo de Florisval, e sim um lugar que Joana conhecia bem: a estufa de sua mãe. Ela olhou o lugar muita surpresa por vê-lo novamente do jeito que sempre foi. Tudo parecia ser tão lindo e maravilhoso que soltou um sorriso deslumbrado ao contemplar aquela visão. Chegou a soltar uma leve risada enquanto passava os olhos por toda a estufa.

- Está do mesmo jeito que antes, não é? – proferiu uma voz atrás da jovem, que virou-se um pouco surpresa. Ficou ainda mais, ao fitar aquela imagem novamente, na verdade, alguém que não via há anos. Uma mulher de cabelos longos e lisos de tom castanho, e de olhos dourados.

- Mãe? – Joana não acreditava no que via, mas sem pensar duas vezes, ela correu até ela para abraçá-la. As prateleiras e os canteiros com as mais variadas flores eram testemunhas daquele encontro. – Mãe! – exclamou mais uma vez a jovem, emocionada por sentir o calor daquele abraço. Sua mãe vestia uma roupa simples com um avental branco, a mesma que usava quando cuidava da estufa junto à sua filha.

- Você cresceu. – disse a mãe dela. – Se tornou uma linda mulher. – Joana continuava sorrindo enquanto ouvia os elogios da mãe, que passou a fitar o ambiente da estufa. – As flores são importante para você Joana, não as perca de vista. Fique naquele campo e você concederá felicidade àquele que ama.

A última frase soou como um conselho para a sua filha, que imediatamente viu tudo se tornar branco. Instantes depois, enxergou o quase escuro local onde se encontrava. O céu meio azulado podia ser visto pela janela do quarto. Levantou-se e ficou sentada na cama olhando a vista lá fora.

- Ainda bem que acordou. – proferiu uma voz próxima. Adler estava ajeitando sua roupa, olhando a mulher recém-acordada, que vestia um pijama lilás com seus cabelos soltos – Está na hora de irmos!

. . . . . . . . .

O sorriso ansioso de Adler ao descer as escadas para a recepção não podia ser contido. Joana descia atrás dele parecendo um pouco nervosa e insegura, mas algo a deixava firme. A proteção e ajuda dos guardas e de Florisval. Adler fechou a conta na recepção, e Joana ficou parada ao lado dele. Quando terminou, ele tomou um caminho contrário à entrada do prédio.

- Vamos sair por outro lugar. – disse ele a guiando para outro corredor da hospedaria.

No lado de fora, sob a luz tênue do amanhecer, os guardas estavam de prontidão esperando-os saírem. Entretanto, estavam espalhados e escondidos em diversos pontos em volta do prédio de forma que um pudesse ver o outro.

Dentro da hospedaria, Joana e Adler chegaram a uma porta que deu para um pequeno cubículo cheio de coisas velhas: panos, cadeiras, panelas, caixotes. Neste mesmo lugar havia uma outra porta pela qual eles saíram, dando na parte de trás do prédio.

- Agora podemos ir – proferiu o nobre com um sorriso. Não havia quase ninguém por perto. Mesmo os que estavam por ali não deram muito bola para um casal que saia às escondidas, exceto por um homem oculto num corredor entre duas lojas em frente.

Os olhos de Neal firmaram em Joana e Adler que começaram a se afastar da hospedaria. Ele fitou os outros guardas também escondidos em lugares próximos. Levantou a mão direita, e movimentou para a direção em que o casal seguira. Os outros assentiram e se puseram a andar cautelosamente até ele.

Joana, ainda nervosa, caminhava ao lado de Adler que sorria sem hesitação. Ele rolou os olhos para a esquerda como quem quisesse saber quem vinha atrás. Sorriu ainda mais, pois sabia que estavam sendo seguidos. “Como se fizessem diferença.” Pensou ele.

. . . . . . . . . .

A luz do sol começou a pairar sobre as flores do campo florido, e num casebre próximo, duas pessoas se arrumavam para sair. Na cozinha, o camponês terminava de pôr sua sacola com flechas nas costas, amarrado por uma corda que passava de forma diagonal pelo seu peito. Pegou o arco que estava sobre a mesa, e fitou determinadamente o mago parado em frente à porta de casa.

- Está pronto? – perguntou Melvin, sorrindo. Florisval assentiu com a cabeça, e então o mago girou a maçaneta para em seguida, uma luz vinda do amanhecer invadir o cômodo. O camponês olhou admirado para os raios luminosos que entravam em sua casa. Ele sorriu, certo de que aquele seria o dia mais importante de sua vida.

Ambos, já no lado de fora, olharam para o céu vendo que seria mais um dia claro e de sol. O campo de Florisval novamente resplandecia, assim como no dia anterior. O camponês lembrou-se de seu pedido à Joana. Aquele campo em breve poderia ser de duas pessoas. Ele abriu o seu colete e fitou a rosa de tom claro dentro dele. Em seguida, olhou para o mago.

- Vamos! – exclamou o camponês. Em poucos instantes, os dois já estavam correndo pela estrada que os levariam a Govenrrar.

. . . . . . . . . .

Joana olhou para trás enquanto seus pés continuavam indo para frente na estrada de terra. A vista da cidade afastava-se cada vez mais. Ela então pensou em seus guardas e em Florisval.

- Não se preocupe com eles. – disse Adler. – Eles virão! – Joana preocupou-se, pois seu noivo sabia que estavam sendo seguidos, e mesmo assim, não notava um pingo de nervosismo em seu rosto. Ele parecia estar até muito feliz, pois talvez tivesse certeza de que conseguiria pegar o tesouro e fugir.

. . . . . . . . . . .

O mago e o camponês corriam não tão depressa pela estrada de terra, pois não queriam gastar toda a energia e ficarem cansados logo no início. Apesar de que isso não faria tanta diferença para um mago, e sim para uma pessoa comum. Entretanto, Florisval possui uma boa resistência física devido ao seu trabalho que o fazia exercitar todos os seus músculos.

Os olhos do camponês desviaram da estrada por um instante para fitar algo dentro de seu colete. De cara, achou aquilo estranho. Ele cessou seus passos e parou no meio do caminho.

- Espere! – pediu ele ao mago que parou alguns metros à frente. Os olhos de Florisval continuaram sobre a flor.

- O que foi? – Melvin perguntou voltando de seu caminho. Florisval pegou a flor de seu colete e mostrou ao mago.

- Olhe! – A rosa estava num tom claro, porém um pouco azulado.

- O que tem isso? Está ficando azul, não está? É por que estamos perto da cidade.

- Não. Tem algo errado! – Florisval percebeu. – Eu gravei bem o tom desta rosa quando cheguei ontem em casa, e quando saímos hoje de manhã. Já estamos na metade do percurso, e mesmo assim o tom dela pouco variou até agora. O azul está muito fraco.

- Você quer dizer que... a outra rosa se afastou ainda mais?

- Estamos atrasados! Eles já saíram da cidade! – conclui o floricultor adicionando tanto desespero em seu tom quanto velocidade em suas pernas. Melvin o seguiu e os dois passaram a correr num ritmo mais forte.

. . . . . . . . . .

- Acho que é mais ou menos por aqui. – pronunciou Adler parando de andar em meio a uma estrada rodeada por uma floresta. Joana parou ao seu lado e recebeu o olhar de seu noivo. – Agora vamos adentrar na floresta à leste. – E os dois entraram. Há uns duzentos metros, Neal espionava o casal escondido atrás de uma árvore ao lado da trilha.

- Eles entraram na floresta? – O guarda estreitou os olhos e levantou o braço indicando aos demais que o seguiam.

. . . . . . . . . . .

Passos apressados invadiram a cidade de Govenrrar. Melvin e Florisval corriam o máximo que podiam. Foram direto para a “Meredith”, e lá chegaram à recepção, onde perguntaram para uma atendente.

- Tem um casal chamado Joana e Adler hospedados aqui? – Florisval perguntou num tom de urgência. A mulher do balcão olhou para os dois estranhos à frente um pouco impressionada, pois pareciam estarem desesperados, principalmente o homem que lhe fizera a pergunta.

- Deixe-me ver... – a mulher olhou numa prancheta procurando o nome do casal, e finalmente os achou depois de alguns segundos, que para Florisval pareceram minutos. – Ah, sim. Eles já estiveram aqui, e deram partida hoje de manhã.

- Há quanto tempo eles saíram? – perguntou o camponês com mais desespero ainda.

- Acho que há mais ou menos uma hora – respondeu a mulher esgueirando-se para o alto com o dedo no queixo. Florisval logo correu para fora da hospedaria. Melvin agradeceu a informação por Florisval e o seguiu logo depois.

Os dois estavam parados ainda em frente à hospedaria.

- Que droga! Chegamos tarde demais! – proferiu o camponês, irritado.

- Ainda temos a “Rosa do Ligamento”. Podemos segui-la. – Melvin falou.

- Mas mesmo que saibamos se ela está perto ou não, não sabemos onde ela está exatamente. Podemos perder horas procurando. – disse olhando para o mago. Melvin suspirou, caminhou alguns passos para frente, e olhou para os dois lados da rua.

- Eles só podem ter ido por dos caminhos. Pela entrada ou saída da cidade. Uma estrada para o norte ou para o sul. Um homem ganancioso no meio da estrada é fácil de descobrir. Espere um pouco, eu vou descobrir onde Adler está. Se tiver sorte...

- Mas como? Você consegue fazer isso? – Florisval perguntou.

- Apenas espere.

O mago fechou os olhos e se concentrou.

- Captação de Energia Maligna! Sentimento: Ganância! – Melvin virou seu rosto para a estrada sul. Seus olhos estavam fechados, e portanto, não enxergava nada. Mas esperava algo em meio à escuridão. Era como se seu olhar estivesse avançando pelo mundo em forma de trevas querendo encontrar algo ou alguém específico. Ficou neste estado durante trinta segundos e por fim, abriu os olhos. – Nada nesta direção. – Melvin virou-se dessa vez para a estrada norte. Florisval ficou calado, mesmo querendo perguntar o que o mago realmente fazia. Melvin fechou os olhos e se concentrou novamente. Sua visão avançou em meio à escuridão, até que vinte segundos de espera valeram à pena. Um ponto cinzento pôde ser visto bem ao longe, e era exatamente esse ponto que ele procurava. – Achei! – exclamou abrindo os olhos, e impressionando o floricultor.

- Você o encontrou? – Florisval perguntou. Melvin o fitou.

- Sim. Eu senti uma Energia Maligna vinda de uma ganância excessiva de alguma pessoa bem distante. Como Adler não vê a hora de satisfazê-la é natural que ele sinta esse desejo durante o percurso. O que também significa que eles já podem estar perto do local do tesouro. Mas o melhor de tudo, é que como ele foi o único que senti nesta direção significa que a estrada está vazia sem nenhum homem ganancioso andando por ela. Só podem ser eles! Estão a quatro ou cinco kilômetros daqui. É melhor corrermos!

- Certo! – assentiu o camponês. Eles começaram a correr novamente num ritmo acelerado rumo à estrada norte.

Florisval uma hora ou outra durante o caminho, fitava a flor e percebia que ela mudava lentamente o seu tom para um azulado. Ele continuou correndo sem hesitar pela estrada, sorrindo por estar próximo de vê-la mais uma vez.

. . . . . . . . . . . .

Adler parou, assim como Joana ao seu lado, com ambos olhando adiante.

- Chegamos! – proferiu o homem. Uma caverna inserida em uma coluna cinzenta de rocha, parte da encosta de uma montanha, escondia o que Adler tanto cobiçava. Posicionada na borda de uma pequena clareira sem nenhuma vegetação aparente, apenas terra, e circundado pela encosta á frente, e pela floresta ao redor. Adler caminhou até a caverna. – Vamos! – disse à sua noiva, que se se sentia nervosa a cada passo dado em direção àquele lugar.

A escuridão era notável lá dentro. Eles caminharam cautelosamente, olhando para a obscuridade à frente. Tinham apenas a luz que vinha de fora como guia. Mas não demorou muito, e viram algo incomum adiante. Duas lamparinas em cada lado, suspensas em um muro construído com tábuas de madeira que se erguiam verticalmente até o teto tampava qualquer passagem depois disso. Nele, havia uma listra pintada horizontalmente na cor verde. Mas o diferencial mesmo era um espaço retangular que ocupava todo o cumprimento da largura de uma tábua. Dentro dele, uma lâmina de vidro não permitia olhar perfeitamente para o outro lado.

Adler se aproximou para observar. Olhou um pouco para cima, onde havia uma linha horizontal passando por três tábuas. “Seria uma porta?” pensou ele. Em meio aos seus pensamentos para descobrir o que era aquele lugar, ficou surpreso ao ouvir uma voz diferente. Quando se deu conta, dois olhos azuis o encaravam no outro lado do muro através do vidro retangular.

- Quem está aí? – perguntou o desconhecido com uma voz de tom diferente. Parecia ser meio infantil, mas diferente de humano.

- Eu vim buscar o tesouro da família Goldin – disse Adler, esperando ouvir alguma reposta do outro lado. Mas ouviu foi um “tap”, junto de algum som de esforço, e em seguida, o som de algo se arrastando na terra. Depois de um “trinc”, a porta começou a se abrir para dentro, junto com o ranger da madeira. A primeira visão de Adler e Joana que se aproximou atrás dele foi de um corredor de terra com algumas estantes cheia de livros e objetos encostadas às paredes. No final, havia parte do que parecia ser um espaço um pouco mais amplo, com paredes rochosas de tom amarronzado ao fundo, e alguns móveis. O lugar estava com cara de ser a moradia de alguém. Era exageradamente iluminado por diversas lamparinas.

- Estava esperando por vocês. – disse a mesma pessoa de antes. Adler e Joana olharam para frente e não viram ninguém. – Ei, aqui embaixo! – Os dois puseram seus olhares no chão e viram alguém ali. Eles arregalaram os olhos, pois nunca viram um ser daquele tipo.

Tinha pouco mais de vinte centímetros se não for contar com seu gorro verde. Seu rosto meio esbranquiçado era jovem, com um nariz meio feio e dentes amarelados, mas em contrapartida, possuía olhos azuis mais bonitos do que muitas pessoas. Portava um robe vede com botões dourados, e uma calça também verde, mas num tom mais claro, e por fim, uma bota na cor marrom Ele olhou sorrindo para os seus visitantes que demonstraram uma cara de espanto.

- Olá! – falou ele novamente.

- O que é você? – perguntou Adler estranhando aquela criatura.

- Eu sou um gnomo. Meu nome é Glin. Prazer em conhecê-los – disse ele, sorrindo.

Próximo capítulo: Chamas da ambição

5 de Junho de 2009

Mundo Sombrio - Ficha dos personagens

Atenção! Os itens...

Especiabilidade/habilidade;

Descrição;

Comentários do autor;

...escondem spoilers. Caso não tenha avançado muito na história, leia apenas os itens restantes.

Fichas dos personagens

Melvin

Aparição: Capítulo 01

Idade: 23

Cabelos: Lisos e semi longos até abaixo do pescoço num tom lilás.

Olhos: Vinho

Raça: Mago Posição: ???

Roupa: Túnica azul forte com alguns detalhes em verde escuro na parte de baixo; luvas pretas; botas marrons; capa preta; e faixa vermelha na testa.

Especialidade/habilidade: Técnica secreta: Purificação da alma; Rajada de vento; Manto Chuvoso

Energia Volaki: ???

Descrição: Um mago viajante e misterioso que esconde muitos segredos sobre sua vida. Muito gentil com as pessoas, dando-se muito bem com qualquer um. Melvin possui uma visão idealista sobre o mundo, tendo como meta salvar a todos do mal que domina as pessoas.

Comentários do autor: Acreditam que esse mago já foi um velho de barba branca? A imagem mais típica de um mago, que tive que ir mudando conforme as versões desta história. Devo mencionar que ela foi criada há 6 anos, mas no início dela nem existia Melvin, tão pouco magos. Eu comecei a colocar essa raça na história quando comecei a usar o “Rpg maker xp”. Modificando dali e daqui, até que encontrei a figura perfeita que havia idealizado para o Melvin quando resolvi torná-lo jovem.

Atualmente essa é a imagem e a história do Melvin, apesar de pouco revelar sobre ele, podem ter certeza que foi muita coisa ao longo desses anos. Isso o torna um dos personagens mais enigmáticos da série.


Florisval

Aparição: Capítulo 01

Idade: 24

Cabelos: Curtos de cor marrom

Olhos: Castanhos

Raça: Humano Posição: Camponês/ Floricultor

Roupa: Camisa branca, colete cinza, e calça marrom.

Especialidade/habilidade: Conhecimento e uso de flores mágicas;

Descrição: Passou a vida cuidando do campo florido em frente à sua casa, e de uma floricultura, junto de seu pai e irmão. Entretanto, eles faleceram e Florisval se encarregou da difícil missão de cuidar do campo e da loja, mesmo sentindo-se solitário e se culpando por estar só. Teve ainda uma experiência como arqueiro do reino de Seylor durante a “Guerra das Energias”. Mas o intrigante na vida deste floricultor é um segredo que envolve flores mágicas.

Comentários do autor: Personagem criado recentemente para dar início ao primeiro arco da história e fazer uma ponte para algo de relevância para a trama principal. O fato de ser um personagem secundário não tira a importância dele ao lado do protagonista.


Joana

Aparição: Capítulo 02

Idade: 23

Cabelos: Lisos de cabelos castanhos amarrados por uma fita amarela deixando um rabo de cavalo que vai até um pouco abaixo do pescoço.

Olhos: Dourados

Raça: Humano Posição: Nobre/Herdeira da família Goldin

Roupa: Vestido amarelo de babado branco.

Especialidade/habilidade: Nenhuma

Descrição: Herdeira da família Goldin, perdeu seus parentes na “Guerra das Energias”, exceto seu pai e sua mãe. Entretanto, sua mãe faleceu de uma doença anos mais tarde, e seu pai foi morto por Adler e Silmor, membros da família Collens, que traiu a família Goldin para pôr as mãos no tesouro dela. Com o intuito de impedir a ambição dos Collens, Joana casa-se com Adler, e com a ajuda dos guardas de sua família tenta impedir que o tesouro caia nas mãos deles. Mas sua vida muda novamente quando encontra um floricultor chamado Florisval, e acaba tendo afeição por ele.

Comentários do autor: Ao lado de Florisval, também foi criada recentemente, assim como os outros personagens que aparecem no primeiro arco, com exceção do Oráculo. Uma história romântica entre ela e o Florisval seria um bom ponto de partida para desenvolver a trama.


Adler

Aparição: Capítulo 02

Idade: 40

Cabelos: Cabelos cheios de cor castanha num tom mais escuro.

Olhos: Negros

Raça: Humano Posição: Nobre/Herdeiro da família Collens

Roupa: Roupa nobre de cor cinza.

Especialidade/habilidade: Nenhuma

Descrição: Filho de Silmor Collens, sempre foi ambicioso, e está a procura de um tesouro que poderá mudar toda a sua vida. Para isso, ele casa-se com Joana, condição necessária para obter o tesouro especial da família Goldin.

Comentários do autor: Um personagem simples como vilão, mas em algumas ocasiões importantes , gostei de escrevê-lo.


Neal

Aparição: Capítulo 03

Idade: 40

Cabelos: Cabelos negros presos por um rabo de cavalo bem curto e pra cima.

Olhos: Negros

Raça: Humano Posição: Guarda da família Goldin

Roupa: Camisa branca por baixo de um colete azul claro, e calça vermelha.

Especialidade/habilidade: Nenhuma

Descrição: No início, Neal e outras pessoas foram acolhidas por Boris Goldin, que os transformou em seus guardas, ficando eles gratos por isso. Neal tornou-se o líder dos guardas que protegem a família Goldin. E sua missão mais importante será ajudar Joana a recuperar o tesouro da família.

Comentários do autor: Hahaha! Nome do personagem criado enquanto assistia “Matrix”. Bem parecido, não? A diferença é que o meu personagem de fisionomia, nada tem haver com “o escolhido”.


Ramon

Aparição: Capítulo 02

Idade: 08

Cabelos: cabelos escuros e meio rebeldes.

Olhos: Negros

Raça: Humano Posição: Ajudante de um floricultor

Roupa: calça preta, camisa bege, e tênis.

Especialidade/habilidade: Nenhuma

Descrição: Junto com Dimas, ajuda Florisval no cuidado das flores na loja e no campo. Em troca, ganha dinheiro para ajudar no sustento de sua família.


Dimas

Aparição: Capítulo 02

Idade: 08

Cabelos: Cabelos curtos e castanhos.

Olhos: Castanhos

Raça: Humano Posição: Ajudante de um floricultor

Roupa: calça preta, camisa bege, e tênis.

Especialidade/habilidade: Nenhuma

Descrição: Junto com Ramon, ajuda Florisval no cuidado das flores na loja e no campo. Em troca, ganha dinheiro para ajudar no sustento de sua família.


Oráculo

Aparição: Capítulo 05

Idade: 20 a 25 / ???

Cabelos: Cabelos lisos e brancos até abaixo do pescoço, penteados para trás e repartidos na frente em inúmeras e pequenas mechas.

Olhos: Cinzentos

Raça: ??? Posição: Oráculo

Roupa: Túnica branca.

Especialidade/habilidade: Comunicação através do subconsciente; Previsões;

Descrição: Personagem ainda misterioso na história. Alertou Melvin para que não usasse sua Energia Volaki, pois outros estariam o procurando.

Comentários do autor: Teoricamente o personagem sempre esteve presente nas versões desta história, mas pouco apareceu. Poderia ter dado as caras enquanto eu escrevia a segunda temporada da versão antiga. Mas nesta nova versão ele também terá suas aparições.